Lançamento da Série “The Lancet Breastfeeding”

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“Assista logo mais às 13h (horário de Brasília) ao vivo o lançamento da nova série da revista britânica “The Lancet “sobre aleitamento materno, que será lançada hoje (29) em Washington, que destaca os avanços do Brasil em amamentação ao longo das últimas décadas”.

Lancet reconhece Brasil por avanços no aleitamento materno

Série destaca iniciativas brasileiras como regulamentação da lei de amamentação, licença maternidade, hospitais Amigos da Criança e rede de bancos de leite.

A nova série da revista britânica The Lancet sobre aleitamento materno, lançada nesta sexta-feira (29) em Washington, destaca os avanços do Brasil em amamentação ao longo das últimas décadas. Pela primeira vez, a publicação analisou dados de aleitamento materno de 153 países. Trata-se do mais abrangente estudo comparativo na área. O Brasil aparece em posição de destaque em relação a outras nações como a China, Estados Unidos e Reino Unido. De acordo com a série, em 1974, as crianças brasileiras eram amamentadas por 2,5 meses em média. Em 2006, esse número subiu para 14 meses. Em 1986, apenas 2% das crianças de até 6 meses recebiam exclusivamente leite materno. Em 2006, essa taxa saltou para 39%. Ao contrário do Brasil, a China teve redução de 5%.

De acordo com o Lancet, a evolução das taxas de amamentação no Brasil se devem a suas políticas integradas de incentivo à amamentação. O documento cita a recente regulamentação, em novembro, da lei de amamentação de 2006 limitando a comercialização de substitutos do leite materno, a licença maternidade de 24 meses, os processos sistemáticos de certificação dos hospitais “Amigos da Criança” – o que assegura padrões de qualidade e treinamento constante de profissionais de saúde – e uma inovadora rede de bancos de leite humano em mais de 200 hospitais que garantiram a amamentação como prática. “Clara liderança governamental, investimentos e uma ativa participação da sociedade civil sustentam as conquistas brasileiras na área de amamentação”, afirma o estudo.

Em dois artigos, a série mostra que o aleitamento materno resulta em grandes benefícios econômicos para o mundo e para a saúde de crianças e mulheres. Mais investimentos em amamentação poderiam representar um acréscimo de $300 bilhões à economia global e salvar a vida de 800 mil crianças por ano. “Apoiar o aleitamento materno faz sentido economicamente para países ricos e pobres e esse estudo prova isso”, afirmou o pesquisador brasileiro Cesar Victora, co-autor do estudo e professor emérito da Universidade Federal de Pelotas.

Crianças que são amamentadas por mais tempo tem melhor desenvolvimento intelectual (um aumento médio de 3 pontos no QI), o que pode melhorar o desempenho escolar e, a longo prazo, aumentar sua renda. A cada ano que uma mãe amamenta, o risco de desenvolvimento de câncer de mama invasivo é reduzido em 6%.

O aleitamento materno é uma das poucas práticas relacionadas à saúde que é mais comum em países pobres que ricos. No Senegal, 98% das crianças são amamentadas até o primeiro ano de vida. No Reino Unido, apenas 0,5%. Isso porque as mulheres em países de baixa renda tendem a amamentar seus filhos com mais frequência e por mais tempo. A série mostra que a cada vez que o PIB per capta dobra, prevalência de amamentação até 12 meses de idade cai 10 pontos percentuais.

Embora os benefícios sejam incontáveis para mulheres e crianças, o investimento global em políticas e programas de apoio ao aleitamento ainda não é suficiente. Como o mundo agora está focado em alcançar os novos objetivos de desenvolvimento sustentável e de saúde, há uma oportunidade única de aumentar o apoio à amamentação como uma ferramenta barata, de baixa tecnologia e de eficácia comprovada para alcançar progresso de maneira sustentável.

Como o Brasil aparece na série do Lancet

Artigo 1: Amamentação no Século 21: epidemiologia, mecanismos e efeitos ao longo da vida

(Prova a importância da amamentação para países de renda baixa, média e alta)

A experiência do Brasil na promoção e proteção do aleitamento é destacada na publicação, que compara o progresso brasileiro frente aos EUA, Reino Unido e China. Entre os avanços, inclui-se:

Em 1974-1975, crianças eram amamentadas por 2,5 meses em média. Em 2006-2007, essa média era de 14 meses.
Em 1986, 2% das crianças de até 6 meses eram alimentadas exclusivamente com leite materno. Em 2006, esse número saltou para 39%[1]
De acordo com o Relatório Estado Mundial da Infância 2015 da UNICEF, no Brasil:
o 68% das crianças são amamentadas dentro da primeira hora após o nascimento

o 50% das crianças continuam sendo amamentadas até um ano de idade; e

o 25% das crianças são amamentadas até os dois anos de idade.[2]

Artigo 2: Por que investir e o que é necessário para melhorar a prática do aleitamento?

(Mostra os benefícios econômicos da amamentação e as políticas necessárias para eliminar as barreiras à amamentação)

A Série do The Lancet aponta que as mulheres são 2,5 vezes mais propensas a amamentar se a prática é protegida, promovida e apoiada. De acordo com o estudo, os esforços brasileiros estão alinhados com as intervenções identificadas pelo relatório como prioritárias, o que inclui:

Regulação da comercialização de substitutos ao leite materno: por meio de leis nacionais e rigoroso monitoramento para assegurar que o marketing desses produtos não desencoraje a amamentação.
Política de licença maternidade de 4 meses paga: que possibilite às mães um tempo livre do trabalho para que cuidem de seus bebês e os amamentem.
Rede de hospitais amigos da criança: o que assegura padrões de qualidade e treinamento constante de profissionais de saúde
Rede de bancos de leite humano: presentes em mais de 200 hospitais, eles promovem a prática do aleitamento
Demonstração de vontade política: no governo e sociedade civil para priorizar investimento de tempo e recursos em aleitamento materno.

Construindo pela experiência

O Brasil tem a oportunidade de valer-se de décadas de avanços para fortalecer ainda mais a sua posição enquanto líder global na proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno. Os potenciais benefícios de mais ação nessa área – ou as consequências de uma falta de ação – estão ligados ao futuro econômico do país:

Os benefícios da amamentação representam uma redução nos custos de assistência médica 1.8 milhões de dólares por ano. Com apenas 10% de aumento das taxas de amamentação, o país poderia reduzir os custos de assistência em mais de 6 milhões de dólares todos os anos.[3] ** As estimativas para o Brasil são menos generalizáveis porque foram contabilizados apenas os gastos com saúde pelo governo federal e não pelos estados.

Lacunas nas taxas de amamentação no Brasil estão ligadas a déficits cognitivos que levam a uma perda anual de 38% no PNB.[4]
[1] Global Nutrition Report. Brazil, Country Profile, 2015. //ebrary.ifpri.org/utils/getfile/collection/p15738coll2/id/129817/filename/130028.pdf

[1] UNICEF, State of the World’s Children 2015

[1] Web Annexes. (2015). The Lancet Breastfeeding Series

[1] “Association between breastfeeding and intelligence, educational attainment, and income at 30 years of age: a prospective birth cohort study from Brazil” Victora C.G., Horta B.L., de Mola C.L., Quevedo L., Pinheiro R.T., Gigante D.P., Goncalves H., Barros F.C. (2015). The Lancet Global Health, 3(4), pp. 199-205.

[1] Global Nutrition Report. Brazil, Country Profile, 2015. //ebrary.ifpri.org/utils/getfile/collection/p15738coll2/id/129817/filename/130028.pdf

[2] UNICEF, State of the World’s Children 2015

[3] Web Annexes. (2015). The Lancet Breastfeeding Series

[4] “Association between breastfeeding and intelligence, educational attainment, and income at 30 years of age: a prospective birth cohort study from Brazil” Victora C.G., Horta B.L., de Mola C.L., Quevedo L., Pinheiro R.T., Gigante D.P., Goncalves H., Barros F.C. (2015). The Lancet Global Health, 3(4), pp. 199-205.

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