Lições Preciosas do Livro: ” Crianças Francesas não fazem manha”

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O que podemos aprender com as mães francesas!

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Lição 2: “Sois Sage”

“Costumo ouvir pais franceses dizendo para os filhos serem sage (sábio). Dizer “sois sage” é meio como dizer “se comporte”. Mas implica mais que isso. Quando falo para Bean se comportar antes de entrarmos na casa de alguém, é somo se ela fosse uma animal selvagem que precisa parecer domado por uma hora, mas que pode ficar selvagem de novo a qualquer momento. É como se fosse contrário à natureza dela…

Quando mando Bean ser “sage”, também estou mandando que se comporte de maneira apropriada. Mas estou pedindo que use o bom-senso e que preste atenção e respeite outras pessoas. Estou dando a entender que ela tem uma certa sabedoria quanto à situação e que está no controle de si mesma. E estou dando a entender que confio nela” (Pág. 71)

O que dá a entender no livro, é que a autora relaciona a prática do “La Pause” (lição número 1) com a capacidade da criança desenvolver um comportamento futuro de saber esperar o seu momento e se adequar à diversas situações cotidianas onde é cobrada dela diferentes comportamentos.

Permitir o auto controle pela criança sob suas próprias ações e comportamentos pode ser o inicio do treinamento dos limites. Mas claro, é preciso respeitar o momento cognitivo desta criança. Se os pais repetirem, por condicionamento, a palavra “sage” pode ser sim que a criança internalize a ação; que se neutralize imediatamente, mas a sua abstração ainda é muito ativa até por volta dos 10, 11 anos de idade.

Este pensamento concreto pode limar todas as características que são muito peculiares na primeira infância. Concordo com a autoria sobre “dar a entender” que uma mãe confia no seu filho, mas acredito que confiar em um filho seja algo imutável. Sempre confiaremos de uma forma ou outra. O perigo desta recomendação é deixar a entender para a criança que, se ela não se auto controlar logo, perderá a confiança da mãe para sempre.

A autora relata neste capítulo uma “diversão mais controlada em Paris” que envolvem atividades como festivais de cinema infantil, teatros e aulas de gastronomia, que claro, exigem da criança mais paciência e atenção e obviamente mais auto controle… Nada errado em participar de tais atividades culturais, talvez conhecer espaços diferentes de um play ou do seu quarto. Mas é bom utilizar o bom senso sempre. Minha filha frequenta estes lugares desde os 2 anos de idade, e certa vez, a levei na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Ela tinha por volta de 4 anos. Ficamos lá mais de 3 horas e ela passou muito tempo em frente das esculturas e quadros, observando, analisando tal qual um “adulto”. Hoje é uma adolescente apaixonada por arte, museus e exposições. Até ai, não vejo nada alarmante no livro.

O SEGREDO: Dar muitas oportunidades para que as crianças pratiquem a espera.

NA PRÁTICA:

1) Cozinhar é uma aula perfeita de paciência. Comece cedo a incluir o seu filho na elaboração da refeição familiar;

2) Estabeleça horários fixos para alimentação (“beliscar” é um verbo inexistente no dicionário francês);

3) Controlar sempre as quantidades que a criança come, nada de mais, mas na medida certa;

4) Ofereça os alimentos em etapas (como nos restaurantes franceses): entrada, prato principal e sobremesa, oferecendo cada uma delas entre “pausas”;

5) Façam as refeições em família;

6) Faça do horário da refeição um momento de “parar” no tempo: dê a este momento todo o tempo que for necessário;

7) Nunca exagere na reação aos “erros” de uma criança, ao contrário, espere sempre por eles. Toda prática é necessária compreensão e paciência para que a criança desenvolva suas habilidades;

8) Ensine as crianças a brincarem sozinhas. Certa vez ouvi de um professor Waldorf que brincar é um “job” e que precisa ser executado em diversas fases até atingir os seus objetivos. A criança imersa em sua brincadeira nunca deve ser interrompida, porque ela precisa de tempo para concluir este trabalho com satisfação. Isso ensina as crianças a serem felizes “sozinhas” um comportamento que será extremamente útil quando forem adultos;

9) Ensine ao seu filho sobre frustração e a melhor forma de lidar com ela. Não confunda deixar uma criança com raiva (frustrada por um “não) com criar mal um filho. Não interprete a ração de frustração do seu filho como sinal de que você está fazendo algo errado. Os pais existem para impedir o processo  de controle dos filhos de desejos e vontades sem fim (Caroline Thompson: “Se o pai ou a mãe não consegue suportar o fato de ser “odiado”, então ele ou ela não vai frustrar o filho, e a criança vai ficar em uma situação em que será o objeto de sua própria tirania(…) Pag. 82 ) ;

10) Uma das maneiras de introduzir gentilmente a frustração é fazendo as crianças esperarem.

 Por Simone De Carvalho

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