Como superar as dificuldades iniciais com a amamentação

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Mamães! O post de hoje foi escrito pela nutricionista Rosane Baldissera, consultora internacional em amamentação (e mom to be!). Abaixo vocês vão encontrar informações e dicas valiosas para aquela fase tão crítica que é logo que nasce o bebê, onde muitas vezes nos encontramos com dificuldades na hora de amamentar. Boa leitura!

 

 

COMO SUPERAR AS DIFICULDADES INICIAIS COM A AMAMENTAÇÃO

As primeiras duas semanas após o parto é o principal período de aprendizado da amamentação, tanto para a mamãe quanto para o bebê. A amamentação, ao contrário do que muitas pessoas pensam, deixou de ser instintiva há muito tempo, e passou a ser uma técnica, e como toda a técnica, deve ser aprendida, ou seja, a dupla mãe/bebê está se conhecendo e aprendendo a amamentar e a mamar.

É nesse período que as primeiras dificuldades com a amamentação aparecem, e para essas dificuldades, existem soluções. A mamãe deve saber identificar o problema que está ocorrendo e agir de imediato já nos primeiros sinais, pois se não houver a reversão da situação, o problema pode se agravar, e então, a amamentação estará prejudicada, colocando em risco a continuidade do aleitamento materno.

Seguem abaixo as principais dificuldades que podem ocorrer nos primeiros 15 dias após o parto e o seu manejo. Caso o problema persista, procure ajuda de um profissional especializado em aleitamento materno (Consultor Internacional em Amamentação).

DEMORA NA DESCIDA DO LEITE

Em algumas mulheres, a apojadura ou “descida do leite”, que acontece em média com 30 horas após o parto, só ocorre após alguns dias. Fatores que predispõem a essa condição incluem cesariana, alto nível de estresse no parto à mãe e à criança, parto prematuro, diabetes melito e obesidade maternas. Nesses casos, a nutriz deve manter medidas de estimulação da mama, como sucção frequente do bebê e ordenha manual ou com bomba.

Em tal situação, é muito valioso o uso de um sistema de nutrição suplementar (translactação). Esse dispositivo (pode ser uma seringa ou copo ou frasco) contendo leite é colocado entre as mamas da mãe e conectado ao mamilo por meio de uma sonda. A criança, ao sugar o mamilo, recebe o suplemento. Dessa maneira, o bebê continua a estimular a mama e sente-se gratificado ao ser saciado, além de manter o aprendizado da amamentação ao seio por não receber o leite na mamadeira (pois com a mamadeira o bebê desaprende a mamar ao seio e acaba desmamando).

BEBÊ QUE NÃO SUGA OU TEM SUCÇÃO DÉBIL (FRACA)

Quando, por alguma razão, o bebê não estiver sugando ou sua sucção é ineficaz, não conseguindo retirar de maneira adequada o leite da mama, e a mãe deseja amamentá-lo, ela deve esvaziar a sua mama regularmente – no mínimo cinco vezes ao dia – por meio de ordenha manual ou por bomba de extração de leite. Isso garantirá a continuidade da síntese de leite, além de permitir que o bebê seja alimentado com o leite ordenhado (na sondinha ou copinho), até que ele possa retirar o leite da mama por sucção.

O bebê pode não sugar inicialmente por diversas razões, que podem ser agrupadas nas cinco modalidades seguintes:

  • Bebês que resistem as tentativas de serem amamentados: alguns bebês choram, viram o rosto ou se jogam para trás quando colocados para mamar. Com frequência, não se descobre a causa dessa resistência, mas é necessário descartar qualquer doença. Algumas vezes a recusa pode estar associada ao uso de bicos artificiais ou chupetas. Outra possibilidade a ser investigada é a presença de dor quando o bebê é posicionado para mamar (p. ex., fratura de clavícula ou de crânio, torcicolo, céfalo-hematoma) ou pressão na cabeça do bebê ao ser apoiado. O manejo dessa situação consiste em remover a sua causa, quando conhecida, acalmar o bebê, evitar o uso de bicos e chupetas quando presentes e insistir nas mamadas por alguns minutos cada vez. Manter o bebê perto da mãe, em contato pele a pele, oferecer a mama assim que o bebê mostrar sinais de interesse em mamar e colocar um pouco de leite extraído da mama na boca do bebê pode ajudar. Enquanto o bebê não sugar, ele deve ser alimentado de preferência com o leite ordenhado da mãe ou de banco de leite, utilizando-se do sistema de nutrição suplementar (translactação) copo ou colher.
  • Bebês que não conseguem pegar a aréola adequadamente: esse problema pode ocorrer quando o bebê não está bem posicionado para mamar, não abre a boca o suficiente para abocanhar o mamilo e parte da aréola, ou está sendo exposto a bicos artificiais ou chupetas; ou quando as mamas estão muito tensas, ingurgitadas, dificultando a pega do bebê, ou os mamilos apresentam alterações anatômicas, como mamilos invertidos, muito planos ou muito grandes. O manejo consiste em corrigir o problema detectado (segue em outro tópico).
  • Bebês que não conseguem manter a pega da aréola: bebês com essa condição, muitas vezes começam a mamar, porém, após alguns segundos, largam a mama e choram. Esse comportamento pode ocorrer quando o bebê está mal posicionado, suas narinas estão obstruídas, não está sendo apoiado com firmeza, ou o fluxo de leite é muito forte. Esse problema também costuma ocorrer em crianças que usam mamadeira. Como o leite na mamadeira flui abundantemente desde a primeira sucção, a criança pode estranhar a demora de um fluxo maior de leite no peito no início da mamada, pois o reflexo de ejeção do leite leva cerca de um minuto para ser desencadeado, e algumas crianças podem não tolerar essa espera.
  • Bebês que não sugam: bebês não sugam porque não têm fome (verificar uso de suplementos), estão sonolentos ou doentes, não têm força para sugar, como pode ocorrer entre os bebês prematuros ou hipotônicos, ou ainda porque não estão maduros para sugar, o que pode ocorrer mesmo com bebês a termo, com bom peso. É importante lembrar que medicamentos anestésicos administrados à mãe durante o trabalho de parto podem interferir no início da amamentação. Os bebês que não sugam devem ser estimulados a fazê-lo, introduzindo-se o dedo mínimo na sua boca, com a ponta  tocando na junção do palato duro com o palato mole.
  • Bebês que recusam um dos peitos: é possível que o bebê tenha dificuldade para sugar em uma das mamas porque existe alguma diferença entre elas (mamilos, fluxo de leite, ingurgitamento), a mãe não consegue posicionar adequadamente o bebê em um dos lados, ou o bebê sente dor em uma determinada posição (p. ex., fratura de clavícula). Um recurso que se utiliza para fazer o bebê mamar na mama “recusada”, muitas vezes com sucesso, é o uso da posição “jogador de futebol americano” (football player).

Se o bebê continuar a recusar uma das mamas, é possível manter o aleitamento materno exclusivo oferecendo apenas uma mama. A recusa súbita em mamar em uma mama específica durante a lactação, sem causa aparente, pode ser um indicativo de carcinoma mamário.

MAMILOS PLANOS OU INVERTIDOS

Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não necessariamente a impedem, pois o bebê faz um “bico” com a aréola. O diagnóstico de mamilos invertidos pode ser feito ao pressionar a aréola entre o polegar e o dedo indicador – o mamilo plano protrai e o invertido retrai. Um mamilo é mantido invertido por possuir um tecido conjuntivo apertado, que pode afrouxar após o bebê sugar por algum tempo.

Manejo: a nutriz deve saber que com paciência e perseverança poderá superar o problema e que a sucção do bebê ajuda a protrair os mamilos. Também, à medida que o bebê cresce, a sua boca fica maior, ficando mais fácil a pega. Se o bebê não conseguir abocanhar o mamilo por si próprio, a mãe pode precisar de ajuda de um profissional, para fazer com que ele abocanhe o mamilo e parte da aréola; é importante que a aréola esteja flácida (macia), e às vezes é necessário tentar diferentes posições para ver em qual delas a mãe e o bebê adaptam-se melhor.

A mãe pode fazer manobras para protrair o mamilo invertido (colocar o mamilo para fora) antes das mamadas, como massagem no mamilo, compressas frias, sucção com bomba manual ou seringa de 10 a 20 mL adaptada (cortada para eliminar a saída estreita e com o êmbolo inserido na extremidade cortada). Recomenda-se essa técnica antes das mamadas e nos intervalos, se a mãe assim o desejar. O mamilo deve ser mantido evertido (para fora) com sucção suave por 30 segundos ou menos, se houver desconforto. Eventualmente, quando não se obtém sucesso com as medidas citadas, pode-se recomendar o uso de bico (intermediário) de silicone. Ordenhar o leite enquanto o bebê não sugar efetivamente ajuda a manter a produção do leite e deixa as mamas macias, facilitando a pega; o leite ordenhado deve ser oferecido ao bebê, de preferência, em um copinho.

 

MAMILOS DOLORIDOS/TRAUMA MAMILAR

 Nos primeiros dias após o nascimento da criança, a mulher pode sentir dor discreta nos mamilos ou desconforto no início das mamadas, o que pode ser considerado normal. Essa dor é devida ao aumento da sensibilidade do mamilo no final da gravidez e início da amamentação, ao estiramento das fibras do colágeno com as primeiras sucções, à descamação normal do epitélio e à forte pressão negativa antes da liberação do leite pelo reflexo de ejeção do leite. Após a primeira semana pós-parto, a dor costuma aliviar à medida que o mamilo se torna mais flexível e o volume de leite produzido aumenta.

Dor intensa nos mamilos, que persiste além da primeira semana de amamentação e que se mantém durante uma mamada completa, ou mamilos machucados não são uma situação normal e exigem intervenção, pois causam sofrimento à mãe e ameaçam a continuidade do aleitamento materno.

A causa mais comum de trauma mamilar é a má técnica da amamentação (posicionamento ou pega inadequados). Uma pega muito superficial (a criança abocanha pouco tecido mamário) coloca a ponta do mamilo em uma posição anteriorizada na boca da criança, causando fricção contra o palato duro, resultando em trauma e dor. A aparência do mamilo após a mamada é importante no diagnóstico de dor nos mamilos por causa mecânica. Ela é preservada durante as mamadas quando a pega está adequada. Deformações, assimetria, listras vermelhas ou brancas, verticais ou horizontais, bolhas, fissuras, sangramentos, palidez (vasospasmo) são sinais de que o mamilo está sendo traumatizado.

Outros fatores que predispõem ao trauma mamilar incluem mamilos curtos/planos ou invertidos, disfunções orais na criança, freio de língua excessivamente curto, sucção não nutritiva prolongada, uso impróprio de bombas de extração de leite, tração do mamilo na interrupção da mamada, uso de cremes, óleos ou loções que causem reações alérgicas nos mamilos, exposição a forros ou intermediários que mantenham os mamilos úmidos, uso de bicos e chupetas (pode alterar a dinâmica oral e determinar confusão de bicos) e limpeza excessiva da mama e mamilos com sabões ou agentes de limpeza que provoquem alergia ou irritação da pele.

Medidas preventivas, como educação no período pré-natal ou pós-natal imediato sobre o posicionamento adequado e pega correta, são a melhor intervenção para evitar dor nos mamilos.

Outras medidas de prevenção do trauma mamilar são:

  • Manter os mamilos secos, expondo-os ao sol e trocando com frequência os forros absorventes usados, quando há vazamento de leite.
  • Evitar o uso de sabões, álcool ou qualquer produto secante nos mamilos – tais produtos os deixam mais vulneráveis a lesões.
  • Se a mama estiver tensa, ingurgitada, ordenhar um pouco de leite antes da mamada para que a aréola fique mais macia, facilitando a pega.
  • Usar técnica adequada para interromper a mamada, quando necessário, que consiste em introduzir o dedo indicador ou mínimo pela comissura labial da boca do bebê, de maneira que o dedo substitua, por um momento, o mamilo.
  • Limitar a frequência ou a duração das mamadas não previne trauma mamilar.

Na vigência do trauma mamilar:

  • Entre os agentes tópicos, há maior base científica para a simples utilização de compressas de água morna  no alívio da dor. Não havendo infecção, lanolina purificada pode diminuir o desconforto da lactante, embora não existam evidências de que esse produto acelere a cicatrização. O uso tópico de ácidos graxos essenciais está relacionado com uma melhora da barreira na pele danificada.

As seguintes medidas de proteção visando minimizar o estímulo aos receptores da dor localizados na derme do mamilo e da aréola podem ser recomendadas:

  • Alternar diferentes posições de mamadas, reduzindo a pressão nos pontos dolorosos ou tecidos danificados.
  • Fazer uso de conchas, que são dispositivos plásticos em forma de disco, protegendo contra aderência de tecido mamário danificado à roupa. Esses dispositivos devem possuir buracos de ventilação, pois a inadequada circulação de ar para o mamilo e a aréola pode reter umidade e calor, tornando o tecido mais vulnerável a macerações e infecções.
  • Iniciar a amamentação na mama não afetada ou menos afetada. Assim, com o reflexo de ejeção de leite já desencadeado, a criança tende a sugar com menos vigor quando for sugar a mama mais afetada.
  • Se a lesão mamilar é muito extensa ou a mãe não está conseguindo amamentar por causa da dor (a sensibilidade à dor varia entre os indivíduos), pode ser necessário interromper temporariamente a amamentação na mama afetada, sem, contudo deixar de esvaziar a mama por ordenha manual ou com bomba de extração de leite.
  • Bicos de silicone devem ser usados excepcionalmente, como, por exemplo, em situações em que a anatomia do mamilo dificulta uma boa pega. Não há estudos avaliando a eficácia do uso de bicos de silicone no tratamento de trauma mamilar. 

 

 

INGURGITAMENTO MAMÁRIO

 O ingurgitamento mamário reflete falha no mecanismo de autorregulação da fisiologia da lactação, resultando em congestão e aumento da vascularização, acúmulo de leite e edema devido à obstrução da drenagem linfática pelo aumento da vascularização e enchimento dos alvéolos. O aumento de pressão intraductal faz com que o leite acumulado, por um processo de transformação no nível intermolecular, torne-se mais viscoso, originando o “leite empedrado”.

As mamas encontram-se doloridas, edemaciadas, com pele brilhante e eritema difuso. A mulher pode apresentar febre de baixa intensidade e mal-estar. Os mamilos podem se tornar achatados, dificultando a pega, e o leite não flui com facilidade.

Leite em abundância, início tardio da amamentação, mamadas infrequentes, restrição da duração e frequência das mamadas e sucção ineficaz do bebê favorecem o aparecimento do ingurgitamento. Portanto, a amamentação em livre demanda, iniciada logo após o parto e com técnica correta, e o não uso de suplementos (água, chás e outros leites) são medidas eficazes na prevenção do ingurgitamento.

Recomendam-se as seguintes medidas no tratamento do ingurgitamento mamário:

  • Massagens delicadas das mamas, com movimentos circulares, principalmente nas regiões mais afetadas pelo ingurgitamento. Essa medida é importante na fluidificação do leite viscoso acumulado e no estímulo do reflexo de ejeção do leite, facilitando, assim, a retirada do leite.
  • Esvaziamento da mama. Se o bebê não sugar ou não conseguir esvaziar a mama, o excesso de leite deve ser ordenhado mecanicamente (manual ou com bomba e extração de leite). Essa medida é essencial para dar alívio à mãe, diminuir a pressão dentro dos alvéolos, aumentar a drenagem da linfa e do edema e não comprometer a síntese do leite, além de prevenir a ocorrência de mastite.
  • Ordenha manual da aréola antes da mamada, se ela estiver tensa, para que fique macia, facilitando, assim, a pega adequada do bebê e o esvaziamento da mama.
  • Mamadas frequentes, sem horários preestabelecidos (livre demanda).
  • Suporte para as mamas, com o uso contínuo de sutiã com alças largas e firmes, para aliviar a dor e manter os ductos em posição anatômica.
  • Compressas mornas ou banho quente podem auxiliar na liberação do leite antes das mamadas ou da ordenha.
  • Crioterapia (aplicação de gelo ou gel gelado), em intervalos regulares após as mamadas ou nos seus intervalos. Em situações de maior gravidade, pode ser aplicada a cada duas horas. O tempo de aplicação da crioterapia não deve ultrapassar 15 minutos, devido ao efeito-rebote.

 

Fonte: Duncan, 2013

 

Rosane Baldissera

Consultora Internacional em Amamentação (IBLCE – L50789)

Nutricionista – Especialista em Nutrição Clínica CRN 6721

http://www.mamaebebeamamentacao.com.br

(51) 95329195 ou 85887915

FONTE: http://mamaqueenblog.wordpress.com

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