Ingurgitamento e Mastite

Padrão

Alguns conceitos:

Ingurgitamento

 

“ Na maioria dos casos as mamas estão simplesmente cheias. O leite continua a “descer” e a criança pode mamar normalmente. A mãe deve amamentar freqüentemente para retirar o leite. Se as mamadas não aliviam o peso, a mãe poderá usar a expressão manual para retirar um pouco de leite. Depois de alguns dias, sentirá as mamas mais vazias. Mesmo assim, a nutriz continuará produzindo leite em grandes quantidades.Algumas vezes, particularmente se o leite não for retirado em quantidade suficiente, as mamas podem ficar ingurgitadas. Mamas ingurgitadas são dolorosas. Ficam tensas e brilhantes por causa do edema (líquido) nos tecidos. O leite pode parar de “descer”.O ingurgitamento é mais comum após parto hospitalar do que domiciliar. É mais comum nos hospitais onde se usam outros alimentos e naqueles que mantêm horários rígidos para as mamadas. Poucas mulheres apresentam ingurgitamento em hospitais onde há alojamento conjunto e sistema de livre demanda precoce. Após alguns dias, o ingurgitamento costuma desaparecer. ” Marcus Renato

“Febre do leite”:“Algumas vezes, mulheres com ingurgitamento mamário apresentam febre por 24 horas. Isto é chamado “febre do leite” e provavelmente é causada por substâncias que passam do leite para a corrente sanguínea. Essa febre com grande freqüência desaparece sem tratamento. Se continuar por mais de 48 horas, procure algum foco infeccioso”.

O ingurgitamento pode levar ao desmame porque:

• A aréola está tensa e é difícil para a criança esticar a mama para formar um bico.

• A criança suga em má posição e não consegue retirar leite eficientemente.

• A criança suga em ma posição e pode ferir a pele do mamilo, causando fissura.

• A mãe amamenta menos porque tem dor.

• A produção de leite diminui porque a criança não suga tempo suficiente e o leite não é retirado.

Para tratar o ingurgitamento, retire o leite da mama:

• Se possível, mantenha a criança sugando.

• Se a criança não sugar adequadamente, retire o leite manualmente. Se as mamas estiverem muito dolorosas poderá usar uma bomba;

• Quando conseguir retirar um pouco do leite, a mama ficará mais macia. Assim, a criança poderá sugar mais eficientemente;

• Continue com a expressão, tão freqüentemente quanto for necessário, para que as mamas fiquem menos dolorosas, até que o ingurgitamento desapareça.

 

Mastite é:“Se um duto bloqueado ou ingurgitado não for desobstruído, o tecido mamário poderá infectar. Parte da mama fica vermelha, quente, inchada e amolecida. A mulher tem febre e não se sente bem. Isto é mastite.” Marcus Renato

Mastite Bacteriana: Mastite e abscessos mamários podem estar associados à presença de bactérias no leite materno contudo, este fenômeno não representa um risco considerável para a saúde da lactente. Raramente ocorre a ruptura da cápsula do abscesso, e consequentemente , liberação de uma grande quantidade de bactérias (em geral Staphylococcus aureus) para dentro do ducto materno. O tratamento deve estar associado ou não a drenagem cirúrgica. A amamentação na mama não afetada deve ser estimulada e tão logo o processo infeccioso e a dor diminuírem o aleitamento materno deve ser normalizado.Mesmo no caso da mãe desenvolver um quadro de septe, o aleitamento deve ser mantido e o antibioticoterapia apropriada do binômio mãe e filho deve ser instituída”.  EDIMILSON MIGOWSKI

Como Tratar um Duto Bloqueado

Trate cuidadosamente o duto bloqueado para prevenir mastite. Freqüentemente fica desobstruído em um dia ou dois.

• Melhore a posição de mamada

• Use diferentes posições para amamentar de tal modo que o leite seja retirado de todos os segmentos da mama. Você já tentou amamentar deitada?

• Mantenha a criança mamando frequentemente do lado que estiver inchado.

• Massageie delicadamente a parte inchada em direção ao mamilo para ajudar a esvaziar aquela parte da mama.

• Descanse e usar roupas largas.

FONTE: Matrice

Mastite, por um diagnóstico preciso

MASTITEDefine-se como mastite um processo infeccioso localizado, geralmenteunilateral. Apresenta dor contínua, que aumenta à palpação, aumento de temperatura (local e corporal), edema (inchaço) e hiperemia (vermelhidão) na região comprometida.Pode ser acompanhada de mal estar geral.Ocorre geralmente entre a 2ª e 3ª semana pós-parto, iniciando-se na borda areolar caminhando para a base da mama.Classificação:Mastite Parenquimatosa: o agente etiológico penetra pelos poros mamilares, podendo atingir um ou mais lobos, apresentando os sinais de mastite na área comprometida.Mastite Intersticial: a porta de entrada do agente etiológico geralmente é o trauma mamilar, comprometendo a estrutura conjuntiva e gordurosa (interstício ou estroma).Segundo a região comprometida, a mastite pode ser classificada em:Mastite Ampolar: comprometimento de parte da aréola ou de toda ela;Mastite Lobar: comprometimento de um lobo mamário, ou seja, região da mama que vai da borda areolar até a base da mama;Mastite Glandular: há comprometimento de toda a glândula mamária e é de incidência rara;Abscesso Mamário: quando ocorre no local infeccionado um abscesso com ponto de flutuação, que evolui, geralmente, para a drenagem externa (espontânea ou cirúrgica).PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NOS CASOS DE MASTITE:I – Caráter Preventivo:Quando os procedimentos preventivos para o ingurgitamento mamário e traumas mamilares são adotados, a incidência de mastite diminui acentuadamente.II – Caráter Curativo:A- Nos casos de mastite inicial, sem eliminação de pus pelos poros mamilares e sem presença de traumas mamilares: A mama, geralmente, apresenta-se com hiperemia, hipertermia e dor local. Pode haver temperatura corporal elevada. Recomenda-se:1) Avaliação médica;2) Amamentar normalmente, sempre iniciando pela mama comprometida;3) Após as mamadas, fazer retirada manual sistemática do leite da mama comprometida até remoção do leite residual, na tentativa de promover a lavagem dos ductos. Este procedimento deve ser realizado a cada 03 horas, inclusive à noite, caso a criança não mame. Deve ser mantido até o desaparecimento do quadro clínico.OBS: 1) Não havendo regressão do quadro em 24 horas e, principalmente, se houver trauma mamilar, deve-se suspeitar de mastite intersticial e, portanto, haverá necessidade de uso de medicamentos (conforme avaliação e prescrição médica).Com o processo infeccioso localizado no interstício, a drenagem do leite através da expressão areolar não atinge o objetivo de remoção do agente infeccioso, pois não encontra porta de saída, e o quadro não regride.2) A temperatura corporal elevada (febre acima de 38ºC) não contraindica a amamentação.B- Nos casos de mastite com eliminação de pus pelos poros mamilares:A mama pode apresentar, além dos sinais da mastite inicial, endurecimento ou tumoração. A recomendação terapêutica deve ser:1) Avaliação médica;2) Suspender temporariamente a lactação na mama comprometida. Esta decisão está norteada pelos seguintes fatores:- Repulsa da mãe: o pus é tido como um produto repugnante; o medo de causardanos ao RN (transmissão de infecção ao mesmo);- Repulsa do RN: acredita-se que ocorra modificação do sabor e odor no leite,com a presença do pus;- Dor: o próprio processo infeccioso é caracterizado pela dor e dependendo dolimiar de dor da paciente, justifica ou não a suspensão temporária da lactação.3) Amamentar o RN normalmente na mama não comprometida;4) Com a suspensão da lactação, orientar a mãe a proceder à retirada manual doleite na mama comprometida;5) Indicar complementação no caso de necessidade.A complementação deve ser feita com L.N.O. (Leite Natural Ordenhado).Alertar a família quanto à transmissibilidade de doenças pelo leite materno;Este leite deve ser oferecido ao RN de preferência em conta-gotas, colherinha, seringa ou copinho dependendo da habilidade da mãe, evitando se possivel o uso de bicos de mamadeira.OBS: Esta conduta deve ser tomada sempre que houver necessidade de suspensão da lactação;6) Se necessário, fazer uso de antiinflamatório, analgésico e antibiótico, mediante avaliação e prescrição médica, considerando o estágio clínico do processo instalado;7) Voltar a amamentar na mama comprometida, após eliminar o fator impeditivo.8) Manter a retirada manual do leite até que haja regressão do quadro clínico;9) Se possível, colher amostra do leite para cultura bacteriológica e antibiograma antes do início da antibioticoterapia, com objetivo de ajudar, se necessário, numa outra indicação do antibiótico ou mesmo para contribuir em estudos epidemiológicos.

C- Nos casos de mastite abscedada:A mama apresenta processo infeccioso localizado, com área de tumoração, com a presença de pus e muita dor local. Recomenda-se:1) Avaliação médica;2) Suspender temporariamente a lactação, sendo que esta conduta deve ser tomada segundo a localização do abscesso, isto é, se o mesmo ocorrer na região areolar, a amamentação materna fica impossibilitada, devido à dor e à própria evolução do abcesso, comprometendo o tecido mamário (tumor – lesão – fibrose).Esta região estando endurecida pelo tumor e posteriormente pela fibrose, impede que o RN a abocanhe corretamente, devido ao comprometimento da flexibilidade areolar.No caso de o abscesso estar localizado acima da borda areolar, suspender a amamentação temporariamente, considerando os fatores impeditivos do procedimento anterior (mastite com eliminação de pus);3) Amamentar normalmente o RN na mama normal;4) No caso de suspensão da lactação na mama comprometida, retirar o leite manualmente a cada 3 horas, com bastante cautela, para não disseminar o processo infeccioso, pois no caso de a expressão ser vigorosa, pode provocar ruptura do tecido e ocorrer extravasamento do processo infeccioso, bem como exacerbar a dor.No caso de haver a suspensão temporária da amamentação, após cada mamada fazer a retirada do leite residual;5) Fazer uso de antibiótico, antiinflamatório e analgésico, somente mediante prescrição médica;6) Acompanhar a evolução do caso, observando a presença de ponto de flutuação para drenagem espontânea, ou então, se necessário, encaminhar para drenagem cirúrgica. Lembrar ainda que, com esses procedimentos (antibioticoterapia + retirada sistemática do leite), a evolução pode ser a reabsorção do abscesso.Na presença de secreção purulenta, colher material para cultura bacteriológica e antibiograma antes de iniciar a antibioticoterapia, com objetivo de ajudar, se necessário, numa outra indicação de antibiótico ou mesmo para contribuir em estudos epidemiológicos.Ocorrendo a drenagem do abscesso (espontânea ou cirúrgica), a mulher deve ser orientada a procurar o serviço de saúde para curativos diários. Estes devem ser feitos conforme orientação médica e de forma sistemática, para que o local seja bem tratado, no sentido de remover os restos de pus, para evitar a formação de novos abscessos.Com a involução do abscesso, reiniciar a lactação, observando:a)- Presença de fluxo lácteo;b)- Ausência ou diminuição da dor;c)- Ausência de pus;d)- Presença de fibrose no caso de o abcesso ter ocorrido na região areolar, poispode dificultar a sucção do RN, impedindo que o mesmo faça uma pega corretae exerça a aplicação da força adequada nos seios galactóforos, favorecendo até arejeição daquela mama;e)- Avaliar a aceitação da mãe em retornar a amamentar naquela mama, uma vez que o processo pode ter sido extremamente traumático e, psicologicamente, ela não tenha condições de aleitar. No caso desta decisão, o profissional deve procurar compreendê-la e orientá-la na alimentação artificial;f)- No caso de desmame devido a mastite, realizá-lo após cura do processo infeccioso, principalmente se houver necessidade de enfaixamento das mamas.

Fonte: SMS/USP

DE: http://mamamiaamamentar.wordpress.com/2012/02/04/mastite-por-um-diagnostico-preciso/

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