Relactação e o seu REAL processo

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Relactação para aumentar o leite materno

 

É muito comum algumas nutrizes acharem que estão produzindo “pouco leite”… e continuam achando até que alguém prove o contrário. Contudo, mamães, não utilizem o sistema de nutricão suplementar (SNS – Relactador) indiscriminadamente, sem acompanhamento profissional, pois é preciso um planejamento com início e fim da intervenção. O método pode ser utilizado para facilitar o estabelecimento da produção e prolongar o aleitamento, mas não para deixar a dupla mãe e bebê “alienada” . Se não há hipogalactia, o relactador pode funcionar como uma mamadeira por conta do fluxo mais facilitado – o que favorece o desmame.

 

Relactação X Lactação Adotiva

 

Por ser uma das minhas linhas de pesquisa na EEUSP, eu acabo falando muito sobre a técnica da relactação. Entretanto, vejo que algumas pessoas confundem relactaçãocom lactação adotiva (induzida), aquela utilizada para mulher que adota um bebê e deseja amamentá-lo. Vejam que na relactação a mulher já esteve grávida e, portanto, ela Re- Amamenta. A mamãe adotiva, ao contrário, nunca teve os estímulos por hormônios gestacionais e, por esta razão, é preciso induzir a produção láctea por meio de hiperestimulação e, na grande maioria das vezes, é necessário o uso de galactogogos – medicações e ervas capazes de estimular os hormônios da amamentação (prolactina e ocitocina, na hipófise). A semelhança entre as duas está no uso da sonda utilizada para fazer o leite (materno ou artificial) chegar até a boca do bebê enquanto ele suga a mama, mas o programa a ser cumprido (sempre acompanhado por um profissional em lactação) é diferente.

Entendam que quando falo da necessidade de ter o acompanhamento profissional, em alguns casos, é porque algum risco realmente existe. No caso da lactação adotiva e da relactação, é comum hiperestimular as mamas e, se não forem feitas da forma bem planejada (inserindo a família neste cenário), adequada, com cautela, calma, consciência do que se está fazendo e certeza de onde se quer chegar…é possível que a mãe se sinta fadigada, ganhe algumas lesões nas mamas e, assim, desista do processo ao sinal das primeiras dificuldades.

Não tenho dúvidas de que a lactação induzida exige muito mais da mulher, e da família, do que a relactação. Entretanto, nada é mais recompensador do que a felicidade de uma mãe, e de todas as pessoas que se propõem a ajudá-la, quando o leite materno é percebido. Para elas – mamães relactantes e em indução –  é mesmo um milagre…o milagre da vida nascendo e renascendo.

O leite materno é capaz de mudar o futuro ….por favorecer a existência de seres mais calmos, mais centrados, educados, saudáveis, bem articulados. Já pensou um mundo só de seres amamentados?

 

Como posicionar a sonda para relactação

 

Relactação é um termo utilizado para mulheres que já estiveram grávidas em algum momento da vida e querem voltar a amamentar um bebê, seja ele biológico ou não. Neste sentido, uma mulher que já teve um bebê há muitos anos, e não consegue engravidar novamente, pode amamentar um bebê adotado. No caso de internação ou morte materna após o parto a avó (ou qualquer mulher que já tenha tido um bebê) pode relactar. É diferente de lactação adotiva, onde uma mulher que nunca teve um bebê deseja amamentar.A relactação é muito mais vulnerável às alterações ambientais do que é a amamentação “normal”.

As etapas exigem mais paciência, uma boa rede de apoio emuita motivação, uma vez que a mamãe deve estar disponível para que o bebê mame entre oito e 10 vezes, em 24 horas. Contudo, a técnica tem sido amplamente utilizada em mamães com baixa produção de leite (hipogalactia) em situações onde uma investigação clínica não identificou nenhuma anormalidade que leve a este quadro, como por exemplo, nutrição materna deficiente, posicionamento e pega inadequados, introdução de outros alimentos, uso de bicos e mamadeiras, sobrecarga de estresse, ausência de mamadas noturnas, mamoplastia redutora, uso de álcool ou medicações, entre outros.

Não aconselho que a mamãe pratique a relactação sozinha, sem orientação de um profissional capacitado para o aleitamento materno. A intenção de utilizar a sonda é fazer com que a mulher produza leite em quantidade suficiente para alimentar seu bebê e por isso o seu uso deve ter “prazo de validade” e ser empregado cada vez menos ao longo dos dias. À medida que a mamãe vai produzindo mais leite, menos suplemento será oferecido através da sonda. E como fazer esta avaliação? É por este motivo que oriento a buscar ajuda profissional (médico pediatra ou consultora em lactação), pois o bebê deverá ser pesado com mais frequência, a mamada deve ser monitorada, bem orientada e as eliminações do bebê devem ser analisadas, além de outros indicadores importantes para preservar a saúde e bem-estar da dupla mãe-bebê.

A sonda a ser utilizada para relactação é a nasogástrica nº4. Entretanto, eu tenho optado pela sonda de aspiração traqueal nº4, por ser mais curta e facilitar o posicionamento:

 

– As duas pontas devem ser cortadas e aparadas;

– Uma das pontas estará mergulhada em um recipiente esterilizável reservado especialmente para este fim. Eu costumo utilizar uma mamadeira pequena de vidro.

– Há duas formas de posicionar a sonda: (1) você pode introduzir a sonda na boca do bebê depois que ele abocanhar a aréola, pelo cantinho da boca em direção ao palato duro (sem deixar encostar no palato e sem introduzir muito) ou(2) você pode já afixar a sonda junto ao mamilo antes de oferecer a mama para o bebê. É preciso avaliar qual método o bebê se adapta melhor, pois alguns podem perceber a sonda afixada e se recusar a mamar;

– O recipiente com leite deve ficar ligeiramente abaixo da cabeça do bebê ou um pouco acima, para que o fluxo de leite seja controlado. Isto depende da quantidade de leite que a mamãe já está produzindo no momento (peça orientação profissional).

 

Basicamente, a sonda estará bem posicionada se:

 

– Você está com o bebê bem posicionado e a pega está perfeita;

– Você vê o leite correr pela sonda sempre que o bebê realiza a sucção;

– Você escuta o bebê deglutindo;

– Você sente “agulhadas” nas mamas – reflexo de ocitocina. Algumas mamães podem não sentir no início; Ainda, pode ser que a mama oposta apresente vazamento espontâneo de leite.

– O bebê está confortável e não se engasga enquanto mama;

Lembre-se que para que a relactação seja bem sucedida é preciso que o profissional de saúde estude alguns fatores:

1-      Estresse ambiental

2-      Desejo do bebê

3-      Idade do bebê

4-      Apoio profissional

5-      Conhecimento sobre amamentação

6-      Conhecimento sobre relactação/técnica

7-      Expressão manual/estimulação das mamas

8-      “Pega”

9-      Receptividade da mãe e do bebê

10-   Mamadas noturnas

11-   Uso de mamadeira e chupetas

12-   Suplementação

13-   Efeitos adversos de medicações

14-   Suporte psicossocial

15-   Intervalo de interrupção entre o desmame e a relactação

16-   Experiência nutricional do bebê. Alguns já podem ter recebido alimentos sólidos, o que pode comprometer a intervenção

17-   Razões que levaram à cessação do aleitamento. Falta de conhecimento? Falta de motivação? Influência de terceiros? Doença? Medicação? Internação? Etc…

18-   Idade gestacional

19-   Apoio familiar

 

20-  Motivação materna – principal fator para o sucesso da relactação

21-   Quantidade de leite antes de interromper a amamentação

22-   Baixa produção de leite

23-   Introdução de alimentos sólidos

24-   Retração dos mamilos/má condição glândulas das mamas

25-   Posicionamento incorreto do bebê junto ao seio

 

Artigos (em inglês) sobre relactação:

 

http://kellymom.com/ages/adopt-relactate/relactation-resources/

 

Artigos do Dr. Jack Newman (Maior especialista em relactação do mundo):

http://www.azdhs.gov/azwic/documents/LATCH_handouts/Arizona_2009_Relactation_Rebuilding_Breastmilk_Supply_SENT.pdf

 

Estudo sobre relactação de Grasielly Mariano:

http://www.esenfc.pt/rr/rr/index.php?id_website=3&d=1&target=DetalhesArtigo&id_artigo=2225&id_rev=9&id_edicao=35

 

Vídeos do Dr. Jack Newman: http://www.breastfeedinginc.ca/content.php?pagename=videos

 

(Grasielly Mariano – Doutoranda pela USP especialista em relactação por três instituições internacionais)

 Por Simone De Carvalho

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  1. Estou ha 12 dias amamentando minha filha de 17 dias utilizando a tecnica de Relactação com mamatutti a qual vem com sonda n.6. Tambem estou em uso de Equilid, plasil e ocitocins spray nasal. Leva mts dias para q o processo tenha sucesso? Como saber a hora d parar o complemento? Devo esgotar o seio com esgotadeira pra ajudar a descer mais leite? Sera q ja nao estou ha muitos dias nesse processo e pide atrapalhar?

  2. Olá,
    Muito bom o texto. Adorei.
    Estou pela segunda vez em um processo de relactação. Meu primeiro filho perdia peso e passei a usar a sonda mas devido a pouca informação permaneci até os seis meses assim com peito e leite artificial na sonda. Agora novamente estou num dilema. Minha filha está com 3 meses e sempre ganhou pouco peso (10g/dia). Entrei com complemento na sonda e ganhou mais. Sinto que minha produção é baixa, não consigo ordenhar quase nada, mas ela mama e mesmo depois dos LA continua tendo leite. ..pouco mas tem.
    Comecei dando 30ml e agora passei pta 60 pois ela continuava ganhando pouco peso. Uma consultora tem me ajudado mas queria saber como posso entender se meu caso é de baixa produção doença ou outro problema.

    Agradeço se puder retornar.
    Um abraço e parabéns pelo trabalho

    • Muito obrigada Naná. não acredito que seja um problema de baixa de produção, mas acho que precisa de uma avaliação no banco de leite, seria bom. Como diz o texto, a relactação precisa ter um começo, um meio e um fim,isso é importante. Mas o fundamental é você acreditar na sua plena capacidade de nutrir o seu bebê com seu leite materno. Por favor entre no nosso grupo de apoio, o fortalecimento das experiências com outras mães pode te ajudar no processo. Um beijo,

  3. minha bebe tem 1 ano e 2 meses e parou de mamar aos 8 meses. É possível apostar na relactação mesmo apos seis meses? Estou muito motivada a tentar, mas fico receosa sobre o processo. Trabalho fora, mas tenho uma bomba elétrica e pensei em estimular a produção em intervalos durante o dia.

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