Os 4 Estágios Evolucionários da Criança Pequena

Padrão

Podemos traçar um paralelo entre a evolução de uma criança de 18 meses até 4 anos e os 5 milhões de anos de evolução dos humanos.

As 4 fases são distintas, mas se sobrepõem:

– O Chimpanzé Charmoso (12 a 18 meses) – consegue se mover só com os pés e usa as mãos livres para segurar tudo o que alcança. Chimpanzés selvagens conseguem comunicar 20-30 palavras usando sinais e gestos. Parece familiar ?

– O Neanderthal (18 a 24 meses) – Consegue usar uma colher, beber num copo sem espirrar e jogar uma bola. É ambidestro e bagunceiro, mas seu equilíbrio é bem melhor que o dos chimpanzés, assim como sua habilidade em torcer, futucar e separar objetos em pequenos pedaços. Mas o progresso tem preço. Com as novas habilidades, aparece também um problema de atitude. Os Neanderthais não viviam com medo dos animais ferozes, porque podiam se defender com pedras e paus (usados como armas). Isso os fez muito confiantes, egocêntricos e brigões. Não é à toa que o termo “terrible twos” aplica-se a esta idade. O período entre 18 meses e o segundo aniversário é provavelmente quando a criança é mais inflexível, cheia de razão e pouco disposta a ceder.

– A Criança das Cavernas (24-36 meses): Os homens das cavernas tentavam fazer amizades e criar alianças, entraram no mundo de linguagem um pouco mais complexa, com instrumentos mais evoluídos e aprenderam a arte de fazer trocas. Um sinal de que a criança já consegue planejar é quando ela é capaz de fazer desenhos circulares no papel. A capacidade de prestar mais atenção e o interesse em fazer amigos aumenta a habilidade do seu filho em esperar a vez dele e ser paciente. Mas, quando frustrado pelas novas experiências, sua criaturinha pouco civilizada ainda vai usar de respostas primitivas, como bater ou morder.

– O Morador de Cidades (36 a 48 meses) – Por volta do terceiro aniversário, seu filho chega perto do nível de evolução dos moradores das primeiras cidades (60 mil anos atrás). Eles inventaram regras de educação, aprenderam regras sociais e adquiriram uma linguagem sofisticada, que possibilitava formar comparações, cantar músicas longas, dançar e contar estórias. Nesta idade a criança já consegue fazer comparações como “o avestruz é como um pássaro-girafa” ou “eu não sou um bebê, sou grande”. Como um morador de uma vila primitiva, a criança nesta idade abraça a magia livremente, como uma forma de explicar o inexplicável. E, como os antigos habitantes das primeiras vilas, ela também carece de habilidade neurológica para colocar suas palavras em forma escrita.

Com a excitante descoberta de que ela é maior que um bebê, chega a enervante realidade de que, comparada com todo o resto do mundo, ela é pequena e vulnerável. Não é surpresa que crianças de 3 anos sejam fascinadas por estórias e jogos onde ela é grande e forte, principalmente se ela for o grande monstro!

Uma vez que você vê seu filho sob a luz da escala evolucionária, suas frustrações e combates diários passam a fazer mais sentido. As birras, os gritos, o visível desprezo por seus pedidos e o desejo de arremessar pedras nos seus gatos – a falta de civilidade do seu filho – fazem todo o sentido (talvez até explique o porquê de criancinhas adorarem Barney e dinossauros de brinquedo !).

Lembre-se de que você conhece o seu filho melhor do que qualquer autor de livro. Essas categorias de idade são apenas uma idéia. Cada criança tem seu tempo e atinge suas fases em épocas diferentes.

Pais Pré-Históricos: como ser um embaixador

Você Tarzan: Eu, Mamãe!

O primeiro passo é pensar em você como um embaixador do século 21 ajudando uma criatura Neanderthal. Seu convidado não entende seus costumes nem fala sua língua, mas veio para ficar até o ano que vem.

O objetivo de um embaixador é promover a harmonia e evitar conflito. Ele se vale de respeito, bondade e negociação. Não é dominador nem tem medo de ter controle da situação. E às vezes precisa ser firme. Claro que seu trabalho como embaixador fica muito mais fácil depois que seu convidado aprende a sua língua.”

A Regra do Drive-Thru

Muitos pais ficam surpresos ao saber que a coisa MENOS importante a respeito do que eles dizem para uma criança irritada é… O QUE eles dizem ! Nossas palavras são praticamente sem sentido sem o correto tom e expressão de voz.

Com crianças pequenas, repetição e brevidade são importantes.

Converse com seu filho pequeno na hora do choro como se fosse uma atendente de “drive-thru”. Quando você pede um hamburger e uma coca no microfone do “drive-thru”, o que o funcionário responde do outro lado ? “Está com preguiça de cozinhar ? Não sabe que isso engorda ? Custa 5 dólares.” Não, ele REPETE o que você disse.

Repita o que seu filho está sentindo, usando expressões faciais, gestos, tom de voz e o seu coração. Não diga “fique quieto”, “pare com isso agora”, interrompendo o que a criança tem a dizer.

Na maioria das vezes, uma criança pequena chorosa está tão chateada que precisa que os pais mostrem que compreendem o que eles sentem ANTES de dizerem qualquer coisa. Se seu filho estiver sendo agressivo ou encontra-se em perigo, pule esta regra e vá para a ação. Neste caso, a SUA mensagem é prioridade.

Legitimar o sentimento da criança pequena

“É importante legitimar o que a criança está sentindo ANTES de dizer a sua opinião a respeito. Muitas vezes os pais cometem os seguintes erros, interrompendo a criança que chora:

– Racionalizar: “Viu ? Não tem monstro nenhum debaixo da cama”.

– Minimizar o sentimento: “Ah, que nada, nem foi tão forte assim. Nem doeu !”

– Distrair: ” Vamos lá ver aquele livro !”

– Ignorar: Simplesmente virar as costas e deixar a criança chorando.

– Perguntar: “Mas ele bateu em você ? Quem começou ?”

– Ameaçar: “Se não se comportar, vai ficar de castigo”

– Reafirmar: “Não chore, tudo bem. Mamãe está aqui”.

Tais respostas têm a sua hora e lugar, mas só quando for a SUA vez de falar ! É preciso PRIMEIRO legitimar o sentimento da criança angustiada.”

Por que suas táticas falham?

“Porque você tem uma falha na comunicação com o seu filho. Mesmo lógica, distração e carinhos freqüentemente são ineficazes para acalmar um pequeno primitivo IRADO, na hora da birra. Por quê?

– Seu filho não consegue realmente “escutar” você: todos nós temos dificuldade em enxergar (e ouvir) as coisas como elas são quando estamos nervosos. Isso é especialmente válido para crianças pequenas, com seus cérebros pré-históricos que não aprimoraram a linguagem ainda.

– Seu filho não sabe usar a lógica: Racionalizar requer uso do lado esquerdo do cérebro, ainda muito desorganizado em crianças menores de 4 anos.

– Seu filho está focado no que ELE quer, não no que você quer: Você consegue imaginar uma criança pequena dizendo “você está tão certa, Mamãe. Como eu nunca tinha pensado nisso antes ?” Não espere que seu amiguinho pré-histórico raciocine e ceda quando está atacado (já é difícil quando ele está calmo e feliz !).

– Seu filho pensa que você não o entendeu: Como pode seu filho gritar com você 25 vezes e ainda assim achar que você não o enteneu ? Porque você não o respondeu na língua dele!

Uma criança de 3 anos que está calma entende frases mais longas e precisa de menos repetições que alguém de 1 ano e meio. Contudo, quanto mais nervosa estiver a criança, mais primitiva ela fica. Na hora da birra, use a linguagem mais primitiva, qualquer que seja a idade da criança. Quando ela se acalmar, retorne para a linguagem usual que ela entende.

Para uma criança na hora da raiva, um gesto literalmente vale mil palavras. Não sorria se você está falando algo sério. Mostre interesse e respeito. Balance a cabeça, abaixe seu rosto com humildade e sente-se ou ajoelhe-se, para ficar no mesmo nível que a criança. Toque levemente o braço dela, mostre empatia com o seu rosto. Assim você diz, sem palavras “eu sei como você se sente”.

Você não está tirando onda com a cara da criança nem reforçando o comportamento negativo, quando “fala” a linguagem dela. O fato de você discordar do ponto de vista dela não significa que você não deve demonstrar que entende o que ela quer. Ninguém recomenda que você aja assim o dia inteiro, mas quando a criança está dando aquele ataque, ajuda bastante usar a linguagem dela.”

Depois da Birra

Quando a criança começa a se acalmar, você pode ajudá-la:

– Fisicamente: se ele não quiser um abraço, sente-se do lado dele;

– Oferecendo escolhas: “quer um suco ou um carinho mágico da Mamãe ?”;

– Ensinando outras formas de demonstrar emoção: “diga ‘mostre uma cara de bravo para a Mamãe ver como você estava bravo’ ou ‘vamos desenhar como você estava bravo’ ou ‘vamos dar uns murros neste travesseiro ?’;

– Ensinando palavras para expressar emoções: “diga ‘nossa, como você estava bravo!’ ou ‘você parecia estar com medo’.

– Dando a ele o que ele quer no mundo de fantasia: “diga que você desejaria dar a ele tudo o que ele quisesse e mais”;

– Usando o poder do cochicho: cochichar é um jeito legal de mudar de assunto e ficar de bem novamente;

– Elogiando quando ele fizer algo positivo: comente qualquer pequeno sinal de cooperação.;

– Compartilhe seus sentimentos usando frases com VOCÊ-EU : “Mamãe diz ‘não, não!’ Quando VOCÊ bate, EU fico brava, brava, BRAVA”. Isso o ajuda ver as coisas sob o seu ponto de vista.

De: “A criança mais feliz do pedaço”, Dr. Harvey Karp

FONTE: http://maesdeflorianopolis.blogspot.com.br

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