Culpa Materna. Você já sentiu?

Padrão

Culpa.

sf (lat culpa) 1 Ato repreensível ou criminoso. 2 Responsabilidade por um ato ou omissão repreensíveis ou criminosos: “Culpa é toda violação de um dever jurídico” (C. Beviláqua). 3 Consequência de se ter feito o que não se devia fazer. 4 Delito, crime. 5 Causa de um mal. 6 Pecado. (Michaelis)

Maternidade.

sf (materno+i+dade) 1 Estado ou qualidade de mãe. 2 Dir Relação de parentesco, que liga a mãe ao seu filho. 3 Tratamento que se dá às madres (religiosas). 4 Estabelecimento hospitalar para mulheres parturientes. (Michaelis)

E a culpa materna?

É verdade que quando nasce uma mãe nasce a culpa? Se ela surge temos que aceita-la? Ou entende-la? Ou não existe culpa? Ela é imposta? Ou somente se sente? Ela só existe nas mães realmente mães?

A culpa pode levar ao adoecimento do corpo e da alma. Por que sentimos culpa?

Por não ter parido, por não ter amamentado, por ter parido, por ter amamentado, por ter sido uma boa mãe, por não ter sido uma boa mãe. Discute-se muito sobre isso ultimamente. Uma mãe é mais mãe do que outra? E a mãe adotiva? Que não pariu e não amamentou? Existe ser “mais mãe”? Existe ser “menos mãe”?

Nossa geração foi criada para ter sucesso na vida. Para estudar, trabalhar, ter seu dinheiro, ser independente. Ser bem resolvida. Ter uma casa, viajar, ter um casamento de cinema. E só assim a felicidade viria.

Como escreveu Walt Disney, suas princesas eram encontradas por seus príncipes, que as levavam para seus castelos e logo um bebê cor-de-rosa e risonho nasceria e todos seriam felizes para sempre. Mas não é bem assim.

Muitas vezes tudo dá certo até a parte do bebê cor-de-rosa e risonho. Bebês nem sempre são cor-de-rosa e choram. Choram. CHORAM. A princesa passa a ser gata borralheira da noite para o dia e o príncipe nem sempre está preparado para a “montanha-russa” da chegada do bebê. E a sensação do eram “felizes para sempre” cai por terra.

Seria aí que começa a culpa? A busca por soluções para amenizar ou aliviar aquela loucura dos primeiros dias do parto nem sempre são o caminho que se desejava durante a gravidez. A busca pela fada madrinha começa. Alguém que ajude com essa nova situação, que realmente não é fácil. Só quem passou pela transformação da maternidade sabe o que é. Ouvi certa vez que, quando se torna mãe, entra-se em outra dimensão. E é a pura verdade.

O amor entre mãe e bebê é incondicional, no entanto, para que ele seja sólido e verdadeiro, precisamos construí-lo com o tempo, no processo de vinculação materna, que começa na gestação, continua na amamentação e segue por toda uma vida.

A busca pela solução daquele bebê que chora, que não mama, que mama demais, que dorme demais, que dorme de menos, da mãe cansada, do pai que não auxilia, da ausência do pai, do pai que quer ajudar demais, da avó que desencoraja ou que cobra eficiência, entre muitas outras dificuldades, nem sempre estão na solução rápida do consultóriodo pediatra ou da visita que aconselha.

Nosso mundo acostumou-se com a tecnologia. Tecnologia é bom, mas às vezes é demais. Conhecimento técnico é bom, mas às vezes é demais. Nem sempre a ajuda é qualificada. Nem sempre aceitamos as sugestões mais simples…

E isso é positivo por um lado e negativo por outro. Positivo, porque temos a possibilidade de filtrar aquilo que ouvimos, avaliando se é bom ou ruim, se acatamos ou não e com isso, de alguma forma, ouvimos a nossa voz interior – o nosso coração – e percebemos que a maternidade é algo realmente instintivo. No fundo, sabemos como fazer!

Já o negativo, é o excesso de informações impostas, de conceitos definidos, de padrões engessados. Excesso de militância e idealismo pode passar a ideia para a mãe que este é um campo muito radical, e de que ela precisa, à todo custo, alcançar a “perfeição”. Perfeição não existe, o que existe é uma mãe conscientes das suas escolhas (sejam elas quais forem) e respeitada por isso, primordialmente. O mercado do desmame é voraz, e está ali, à postos, neste momento de fragilidade.

Quanto à fada madrinha, as  vezes ela até aparece, mas o efeito de sua magia pode não ser duradouro. E quando a magia passar? E quando outros problemas e dúvidas chegarem? A fada madrinha estará sempre presente?

Temos muitas opções para cessar o choro dos nossos bebês e, quando optamos por alguma delas temos que entender que poderemos ter consequências boas ou ruins no futuro. Para toda ação há uma reação. Uma dessas experiências é a introdução ou o processo de retirada de bicos artificiais, por exemplo.

São nas sugestões mais simples (fora do empoderamento materno) que surgem as informações mais erradas. Acho que é justamente o contrário: quanto mais empoderamento, mais aprofundamento no conhecimento, mas as mães acreditam que estão sendo vítimas de um certo radicalismo…

Os caminhos tomados por nós, mães, são aqueles que, na época, tínhamos como opção. Optamos por aquela que, na época, foi a que mais nos tocou dentre aquelas que nos foram apresentadas. Se não tínhamos conhecimento das consequências que estavam por vir, não há culpa. No entanto, dentro de nós, sabemos que há caminhos sem volta e que precisamos resgatá-los, não tentando voltar no tempo, ou nos culpando, mas encontrando outros caminhos que nos façam, de alguma forma. recuperar o que foi perdido.

Seria aí que começa o processo de culpa?

Algumas reflexões pontuais:

  • Sabemos que a culpa pode sim ser aceita e controlada através do empoderamento materno efetivo, mas, uma vez que ele mesmo dá a autonomia para as mães fazerem suas escolhas acertadas, elas podem vir a se confrontar com uma sociedade não empoderada.
  • A culpa não está na mulher, em suas escolhas, em sua maternidade… O processo de culpa nasce nas diversas interpretações que a sociedade faz da própria maternidade. O seu significado.
  • A necessidade de uma nova forma de organização social: nem eliminando completamente o modelo patriarcal, nem instalando completamente o modelo Matrifocal. Senão, corremos o risco de ter uma sociedade fundamentalmente feminista. O que seria um desastre também. O equilíbrio, a consciência e a necessidade de considerar a importância destes dois lados, é o caminho para uma sociedade sadia e equilibrada.
  • E por fim. Que a essência da maternidade, a sua importância e o seu papel fundamental em nossa sociedade, seja livre de ações de sistemas de controle, de ganho à todo custo, de negação da importância do vínculo entre mãe e bebê nos primeiros anos. Esta ação, deve ser protegida, apoiada e incentivada livremente.

A culpa materna nasce e se instala no subconsciente da mãe, quando não é permitido à ela exercer a sua maternidade da forma como ela realmente deveria ser exercida, respeitando o universo de significados que ela representa para cada mãe, especificamente. O que deveríamos fazer, é deixar que, mãe e bebê, vivenciem o seu momento com a menor interferência externa possível e deixar que eles descubram os seus próprios caminhos de satisfação e realização deste momento único em suas vidas.” Simone De Carvalho

Texto de Fabiana Cainé Alves da Graça e Simone De Carvalho

Fabiana é farmacêutica, trabalha na rede de Atenção Básica da Prefeitura de Diadema, é membro IBFAN Brasil é doula pós-parto e administradora do blog Amamentar é tudo de bom.

Site: http://www.amamentaretudodebom.blogspot.com

Simone é Mestranda Do Centro de Investigação em Pediatria – Saúde da Criança e Adolescente – UNICAMP, Fundadora da AMS BRASIL: “Aleitamento Materno Solidário” no Facebook.

Site: http://www.amsbrasil.com

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