Por que defendemos tanto a amamentação?

Padrão

Imagem

2a Edição da Blogagem Coletiva “Por que sou ativista da Amamentação” de 10 a 20 de Agosto de 2013.

Estou imersa nestes dias em uma leitura muito profunda do livro de Judith Warner, A Loucura Perfeita – Mães que Trabalham: a maternidade na era da ansiedade. De linguagem jornalística e muito inteligente, a autora descreve esta frase que começo o meu post: “Afinal, a maternidade fora profundamente desestabilizante. Gravidez, parto, amamentação, tudo isto significava uma perda temporária de controle – controle do corpo e da carreira. Como reação a essa falta de controle, adotamos uma nova forma de comportamento controlador. Abordamos os enormes desafios da gravidez e do parto como se fossem eventos normais da vida, que pudessem, de alguma forma, ser controlados. Tentamos provar nosso domínio sobre eles, nossa autossuficiência, por meio de partos naturais, “planos de parto” e amamentação em nível olímpico. Tornamo-nos perfeccionistas da maternidade”. (Pág. 43)

Como moderadora de um grupo de mães que apoia, incentiva e promove a amamentação, sinto em dizer que não lutamos pelo controle, pelo domínio ou pelo perfeccionismo da maternidade. Não, nem de longe. Nestes quase três anos de atividades nas redes sociais, estamos em franco processo de destituição desta maternidade citada pela Judith. Maternidade que foi construída ao longo de décadas, alicerçada por valores predominantemente patriarcais. A emancipação feminina trouxe com ela uma luta desigual de fazer o feminismo ser igual – ou superior – ao machismo e é claro, os efeitos não poderiam ser mais desastrosos. O que vemos é uma geração de mulheres livres sim, feministas sim, mas consideradas completamente insanas muitas vezes pela sociedade. Se ativistas, só querem se igualar aos homens, se profissionais, disputarem um espaço que nunca será delas, na sua visão machista.

Lutamos pela amamentação porque ela é a ação mais feminina que existe. Bombardeada pela indústria que tentou e tenta a quase um século agredir e artificializar um ato que é natural e intrinsicamente humano. Lutamos, porque não queremos ser controladas por esta ideia inescrupulosa de duvidar do nosso próprio corpo e da nossa capacidade de nutrir uma vida com o nosso leite humano. Lutamos, porque é de nós, a única necessidade vital e afetiva que nossos bebês necessitam no seu primeiro ano de vida. Porque nada nem ninguém será capaz de reproduzir a pureza e excelência do vínculo que só o ato de amamentar é capaz de proporcionar.

Lutamos, porque defendemos as mães e os bebês. Acima dos benefícios desta prática para o bebê, defendemos o direito da mulher de ser e vivenciar o “ser mãe”.  Quando acolhemos uma mãe no grupo, desejamos que a sua vontade seja soberana, sempre. Sem imposições e principalmente sem preconceitos. Acolhemos inclusive o universo de saberes culturalmente adquiridos – bons e ruins – que permeiam a maternidade de cada mãe especificamente. Cada díade mãe e bebê um universo, e nunca, teremos todas as respostas. Aprendemos sim, sempre, todos os dias.

Lutamos pela amamentação, porque ela é um ato que nunca se esgotará e sempre haverá um nova mãe perguntando uma dúvida talvez pela milésima vez… Os efeitos desta luta, porém, são imensuráveis. A possibilidade de uma mãe finalmente se conectar com a sua maternidade em meio a um tsunami  de fatos e circunstâncias que não valorizam o seu ato materno, que tolhem o seu direito de vivenciar plenamente este momento único em suas vidas, é o maior prêmio que reconhecidamente recebemos desta luta. Não há perdedores, ou ganhadores, existe apenas a humanidade como ela é. Mulheres reais, bebês reais e um desejo genuíno de igualdade e principalmente de amor. Nada além disso. Não sejamos nós mártires dispostas a morrer pelo nosso grande ato materno de doação completa, mas, que sejamos todas nós, mulheres com seu espaço, respeito e dignidade conquistadas em cada lugar que ocupamos. Que sejamos apenas, nós mesmas.

Por Simone de Carvalho

Fundadora da AMS Brasil

Texto para a Blogagem Coletiva: https://www.facebook.com/events/265765370206386/

Anúncios

»

  1. Oi, Simone!
    A amamentação não deveria ser vista em separado à maternidade e a mãe optar se quer ou não amamentar. Deveria ser ato contínuo, um estágio para conhecimento do novo ser, aprendizado do amor, de construção na convivência íntima, um enamoramento… Entendo que a modernidade, muitas vezes é um retrocesso na vivência do amor maternal.
    Obrigada por participar mais uma vez da blogagem! Aprendo sempre com as suas publicações.

  2. Pingback: Dupla Jornada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s