Porque as crianças despertam durante a noite?

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Por: Dr. Carlos González

 

A maioria dos insetos, répteis e peixes têm centenas de filhotes, com a esperança que alguns venham a sobreviver. Aves e mamíferos, no entanto, tendem a ter menos filhos,  tomam mais cuidado com a sua sobrevivência. Mamíferos, por definição, precisam sugar e, portanto, nenhum filhote pode sobreviver sem a sua mãe, e, dependendo da espécie, a dependência é maior da sua mãe. Em algumas espécies, o filhote é capaz de andar em apenas alguns minutos, seguindo a sua mãe (quem não se lembra da linda cena do filme “Bambi”?). Isto é particularmente verdadeiro em alguns herbívoros, tais como os ovíparos, bovinos e algumas espécies como o veado.

 

Estes animais vivem em grupos que rapidamente devoram uma área com relva ou grama, e precisam migrar todos os dias para novos pastos. É necessário que o jovem filhote siga a sua mãe neste movimento diário. Herbívoros menores, como os coelhos, podem esconder os seus filhotes em tocas, procurar alimentos e amamentar seus filhotes várias vezes por dia. Sua prole é incapaz de andar nos primeiros dias. O mesmo vale para a maioria dos carnívoros, como gatos, cães ou leões. A mãe sai para caçar, deixando-os desamparados em algum esconderijo. Os bebês não nascem sabendo caçar, mas aprendem com o tempo, e isto é importante para adquirirem flexibilidade.

 

Um comportamento inato é sempre o mesmo; já um comportamento aprendido pode melhor adaptá-los ás condições ambientais, e se aperfeiçoa com a prática. A primeira vez que um cervo vê um logo, o executa imediatamente. Se ele não se sair bem, vai morrer, e, portanto, não aprendeu a fazer o melhor, sendo abatido logo após o seu nascimento. Os lobos aprendem na mesma perspectiva: a primeira vez que o cervo lhe escapa, ele pratica como abater a sua caça. São os jogos de infância que o levarão para uma prática na vida adulta.

 

Mas, vivendo em árvores, nós tivemos de fazer algumas mudanças. O personagem Bambi é capaz de deslizar com os seus pés, não importando o solo. Mas, em pé sobre um galho, um deslize poderia ser fatal. Assim, todos os dias, os bebês macacos são treinados por suas mães até que estejam plenamente aptos para pularem sozinhos, sem erro. Mas o macaquinho ativo, agarra-se constantemente ao pelo de sua mães, com seus pés e mãos, e com a sua boca presa à mamilo (mamando) sendo estes, os “cinco pontos de ancoragem”.

 

Assim, a mãe pode executar seu movimento de galho em galho, sem se preocupar com o seu bebê. Anda livremente de galho em galho ou pelo caminho com seu bebê a tira colo, mas possuem nenhum aparato como o sling? Claro que não. Para que um bebê que já seja capaz de pendurar-se em sua mãe, ele deverá ter provavelmente uns dois anos de idade.

 

Desde os nossos primos mais próximos, os chimpanzés, são incapazes de ficar encima da mãe, e ela precisa abraçá-los, mas apenas durante as primeiras semanas. A diferença com os nossos filhos é abismal. Para andar (não para dar quatro passos em torno de nós, como fazem por alguns anos, mas realmente caminhos e seguindo-nos enquanto fazemos compras, sem chorar e sem que nós tenhamos que virar a cabeça para trás o tempo todo para ver se estão nos seguindo) nossos filhos demoram pelo menos de três a quatro anos.

Até os 12 ou 14 anos, é praticamente impossível a criança viver sozinha, e na prática, não tentamos deixá-los sozinhos até que tenham 18 ou 28 anos. Os seres humanos são mamíferos que precisam de seus pais, deixando-o para trás na segunda posição. Provavelmente, isso se deve em grande parte, á nossa grande inteligência. Como dissemos dos lobos, a conduta deve ser aprendida para se tornar inteligente, porque o comportamento inato é puramente automático. Nossas crianças precisam aprender mais do que qualquer outro mamífero, portanto, devem nascer sabendo menos.

Então, o que isso em haver com as crianças acordarem? Então, agora podemos perceber que tudo isso faz sentido com a conduta do nosso próprio filho. Eu estava começando a dizer que os filhotes não são maduros ainda e que precisam estar o tempo todo com a mãe ou sobre ela, ou a seguindo a uma curta distância, e que outros precisam ficar escondidos em uma toca, esperando sua mãe retornar. Para saber a que tipo de animal um filhote pertence, é preciso observar como ela se comporta quando a sua mãe se ausenta. Eles precisam star sempre juntos e se põe imediatamente a chorar, e chorar e chorar (ou emitir um ruído equivalente à sua espécie) até que sua mãe retorne.

Um filhote de ganso, por exemplo, mesmo com comida e água ao seu alcance, chora até o retorno de sua mãe, até a morte. Sem os seus pais, de qualquer maneira morreriam em breve, assim que esgotasse a sua energia para chorar. E começam a fazê-lo imediatamente quando sua mãe se afasta, porque se for fazê-lo tardiamente, pode ser mais difícil de ser ouvido. Ao invés disso, um coelhinho ou um gatinho, permanecem quietinhos e calados. Esta separação é normal para a sua espécie, pois se chorassem, poderiam atrair outros animais, o que é sempre muito perigoso.

 

Como é que seu filho reage quando você o deixa no berço e vai embora? Se, como o meu fez, “começa a chorar de se matar” significa, em nossa espécie, que seja normal que continuamente as crianças queriam contato com a mãe 24 horas por dia. Não é difícil imaginar há 50 mil anos atrás, quando não tínhamos, casas, ou roupas, ou móveis, separar-se de sua mãe significava a morte. Você consegue imaginar um bebê nu no campo, ao ar livre, exposto ao sol, a chuva, ao vento, a animais nocivos, apenas por oito horas enquanto a sua mãe “trabalhava” colhendo frutos e raízes? Nem mesmo por uma hora, ele seria capaz de sobreviver a tais circunstâncias.

No tempo dos nossos ancestrais, os bebês permaneciam 24 horas por dia nos braços, e eram apenas separados por alguns momentos de seus pais, avós ou irmãos. E quando assim o faziam, eles caminhavam em torno de suas mães, e tanto o bebê como a mãe se olhavam constantemente, e avisavam mutuamente quando um se afastava do outro.

Hoje me dia, quando você deixa o seu bebê no berço, sabe que ele não está em perigo. Não vai sentir frio, nem calor, nem se molhar, nem ser devorado por um lobo. Você sabe que ele está há poucos metros, e você irá ouvi-lo, se algo acontecer (ou se você sair de casa sabe que alguém estará de plantão, sendo capaz de ouvi-lo também). Porém seu filho não sabe disso. Nossos filhos quando nascem são exatamente como aqueles bebês de 50 mil anos atrás. Há propósito, ao menor sinal de separação, chora copiosamente como se você tivesse ido embora para sempre.

Mais tarde, quando ele começa a entender onde você está, e que vai voltar e cuidar dele quando precisar, eles começam a tolerar as separações com mais tranquilidade. Mas isto leva algum tempo. Em quase todo comportamento infantil, onde não aprendeu nada ainda, é instintivo e idêntico aos nossos ancestrais mais remotos. E o comportamento instintivo da mãe tende aparecer aqui e ali, despontando em nossas grossas camadas de cultura e educação.

É por isso que quando você vai ao parque com o seu filho de 3 anos, ambos se comportam como os seus antepassados. Você observa atentamente o seu filho a maior parte do tempo, e o aconselha o tempo todo (“volta aqui” ou “não vai tão longe”). Seu filho também vai olhar com frequência para você, e se perceber você distraída ou conversando com outras pessoas, ficará nervoso e até com raiva e vai tentar chamar a sua atenção (“olha, mamãe, olha!”, “olha o que eu faço1”, “olha o que eu encontrei!”).

Chegamos á noite. É um período particularmente sensível, porque se o bebê dorme 8 horas, e a mãe se ausenta neste período, pode ser que ele acorde a sete, e a mãe pode não ouvi-lo. E por isso, você precisa ficar alerta. Durante as primeiras semanas, nossos filhos são absolutamente indefesos, e sua mãe deverá ser responsável em manter o contato. Em raras culturas (como a nossa) em que a mãe e o folho dormem juntos, a separação torna a mãe angustiada e ela sentirá o desejo de olhar o bebê de vez enquanto. Que mãe não chegou ao berço para se assegurar que o seu bebê estava “respirando”? É claro que você sabe que ele está respirando, sabe também que não há nada de errado, é claro também que seu marido vai rir de você, mas você não pode evitar você vai.

Á medida que a criança cresce se torna mais independente. Isso não significa que passe mais tempo sozinho, ou que faça as coisas sem ajuda, porque o ser humano é um animal social, e não é normal estar sozinho. Para um ser humano, a solidão não é independência, mas sim abandono.

A independência consiste em sermos capazes de viver em comunidade, expressando nossas necessidades para conseguir a ajuda dos outros, e, oferecendo a nossa ajuda para satisfazer as necessidades dos demais. Agora você não precisa verificar se ele está respirando, ele irá te dizer! Como está se tornando independente, ele é quem ficará de guarda. Ele irá acordar a cada hora e meia ou duas horas, para procurar por sua mãe. Se ela estiver por perto, ele irá cheirá-la, irá sentir o seu calor, irá tocá-la, talvez vá mamar um pouco, e voltará a dormir. Se a sua mãe não estiver por perto, se colocará a chorar até que ela venha. Se a mãe vem em seguida, se acalmará rapidamente. Se ela demorar, permanecerá desperto e atento, como medida de segurança, para não perder a mãe novamente.

É aqui aonde a vida real não coincide com os livros, porque disseram às mães, que, quanto mais o filho vai crescendo, mais ele irá dormir. E ficam surpresas porque é exatamente o oposto. Não se trata de “insônia infantil”, ou “maus hábitos”. É simplesmente um comportamento natural dos bebês nos primeiros anos de vida. Conduta esta que vai desaparecendo por si só, independente da “educação” ou do “treinamento”, mas porque a criança se torna maior e precisa da presença contínua de sua mãe.

Se toda vez que o seu filho chorar, você atendê-lo estará o encorajando a se tornar independente, isto é, aprendendo a expressar suas necessidades aos outros sendo considerado “normal” ser atendido. Isto vai ajudá-lo a se tornar um adulto confiante e integrado à sua sociedade. Se, quando se filho chora você o deixa chorar, está o ensinando que as suas necessidades não são realmente importantes, e que as outras pessoas são mais “sábias e poderosas” e que podem decidir o que é melhor ou não para ele. Assim, ele se tornará mais dependente, porque dependerá dos caprichos dos outros, e nunca se julgará suficientemente importante para ser reconhecido.

 

Uma infância feliz é um tesouro que dura para sempre, e ninguém pode privar uma criança desta realidade. A infância do seu filho está agora em suas mãos!

 

FONTE: http://cozybebe.blogspot.mx

Tradução: Simone De Carvalho

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