Chupar o dedo

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Quando tiramos o polegar da boca de uma criança de dois anos, percebemos imediatamente o que se passa: com se estivesse preso a uma mola invisível, ele volta para a boca. Se, porém, o prendemos um pouco em nossa mão, a criança desperta a contragosto dos sonhos a que estava entregue. Somente agora ela percebe a pessoa que veio atrapalhar seu sossego e reage com desagrado à ruptura desse campo magnético fechado! Se, por outro lado, ela ouve um ruído tentador, como o raspar da panela de mingau ou os preparativos do carrinho para passear, o polegar sai sozinho da boca, e bem depressa. Uma força equivalente à que o atraiu para a boca na hora dos devaneios o repele agora.

Chupar o dedo significa isolar-se do ambiente, ficar confortavelmente consigo mesmo. É bastante conhecido o fato de que o hábito muito acentuado pode levar à deformação da arcada dentária. Por essa razão, recomenda-se muitas vezes o uso de chupetas de forma anatômica especial (ortodônticas). Nossa recomendação, todavia, é contrária à chupeta, porque esta induz a criança a chupar quando ela mesma normalmente não o faria por si. A criança abusa da chupeta pendurada ao pescoço como tranqüilizante, ‘aperitivo’ antes das refeições ou como meio de distração. Além disso, o polegar ainda tem a vantagem de auto-regenerar sua superfície, de ser menos propenso à contaminação por fungos e de estar sempre disponível, sem nunca ficar na boca quando a criança quer brincar.

Quem, apesar disso, se decidir em favor da chupeta, não deve prendê-la com cordões resistentes, mas usar um fino elástico roliço.

Uma palavra adicional sobre a deformação maxilar: felizmente, muitas vezes ocorre uma correção espontânea na época em que aparecem os dentes permanentes e a criança aos poucos para de chupar o dedo. De qualquer modo, tais deformações não ocorrem apenas em conseqüência do hábito de chupar o polegar e outros dedos: também as notamos em crianças que chupam chupeta.

Um ou outro leitor poderá perguntar agora: então nada dever ser feito contra o hábito de chupar o dedo? Se a criança chupa o dedo para adormecer, nossa resposta é afirmativa; no mais, trata-se de ter paciência. Há crianças que perto dos cinco anos dizem subitamente: “Agora não vou mais chupar o dedo” – e, de fato, cumprem o que disseram. Uma mãe observou que até mesmo durante o sono a criança retraía o bracinho. Se, por exemplo, uma fissura no dedo de uma criança de três anos torna necessário um curativo, este pode ser um meio de acabar com o hábito mais cedo: o “dodói” é tratado com pomada e envolto com gaze; faz-se um curativo enrolando o polegar e o pulso, e, finalmente, a mãozinha inteira desaparece num saquinho feito com um lenço. A criança contempla surpresa o novo membro, e a alegria dos pais confirma que tudo está em ordem. O curativo é trocado diariamente, só sendo removido depois de uma semana. Até lá, em geral, a criança se terá desacostumado de chupar o dedo. Esparadrapos estão proibidos, pois podem ser engolidos!

Chupar o dedo é a manutenção de um estado evolutivo anterior – o de mamar no peito. Por isso, nem as proibições nem as defesas desse hábito são adequadas. Quando sentimos que a criança necessita de um fortalecimento de sua autopercepção, podemos ajudá-la, seja afagando carinhosamente sua cabeça na hora de adormecer, seja despertando seu interesse pelo meio-ambiente.

Goebel, W., Glockler, M. Consultório Pediátrico 2001 pp 396-397 Editora Antroposófica

FONTE: http://jardimdasamoras.com.br/site/?page_id=474

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