Você conhece os fatores de risco para o desmame precoce?

Padrão

Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (2005) estudou 40 mães que desmamaram seus bebês antes do sexto mês de vida, com o objetivo de analisar as variáveis envolvidas no desmame. Os resultados evidenciam que a principal causa de desmame precoce (42.5%) atribui-se a “falta de leite”, seguido da “dificuldade com a amamentação” (30%). Demonstra ainda que a grande maioria das mães apresentou sintomas físicos e psicológicos de estresse.

Em nosso meio, Candeias estudou 404 mulheres internadas no serviço de obstetrícia do Hospital São Paulo, em uma abordagem dentro dos limites das variáveis idade, paridade, intervalo intergestacional, escolaridade e renda mensal, com vistas a detectar suas relações com o desmame precoce. Cumpre assinalar que, ao se identificar as variáveis, a idade materna revelou-se a mais discriminadora.
 
Veja no quadro abaixo os itens relevantes ( extraídos de 13 artigos científicos) para o prolongamento da amamentação e proteja-se, na medida do possível:
 

Número de Citações

Fatores de Risco

1
Orientação médica, ingurgitamento mamário, fissuras e rachaduras nos mamilos, ser solteira, número alto de filhos, experiência anterior com aleitamento materno, alojamento conjunto, uso de medicação pelo binômio,uso de mamadeira, rejeição pelo bebê, doença materna, dores, conveniência, choro do bebê, deficiência orgânica da mãe,violência entre parceiros, baixa auto-confiança,não realização de pré-natal, baixa escolaridade paterna, internações, característica própria da mãe, conceito de tempo ideal, início do aleitamento após alta da maternidade, não reconhecimento das vantagens,opinião paterna desfavorável, constrangimento social, desejo materno.
2
Uso de chupeta, volta ao trabalho, baixa escolaridade materna, ausência do pai, falta de auxílio profissional, doença do bebê, influência de terceiros, ansiedade, sintomas depressivos
3
Estresse materno, hipogalactia, classe social.
4
Ausência de orientação e apoio, idade materna, introdução precoce de alimentos, ser primípara (Mãe de primeira viagem).
5
Dificuldade com a amamentação – ENGLOBA VÁRIOS FATORES
 

 
Ao se analisar os fatores que podem incitar o desmame, observou-se que a dificuldade com a amamentação foi o único agente citado por cinco dos treze artigos da amostra. Neste cenário, um estudo realizado com 40 mães que desmamaram seus bebês antes de completarem o segundo mês de vida, identificou as dificuldades ao oferecer a mama para o lactente como principal causa do desmame extremamente precoce, embora este não tenha sido o fator de maior relevância no estudo. Observa-se que ingurgitamento mamário, fissuras e rachaduras, rejeição por parte do bebê, hipogalactia, auxílio profissional, dores, choro do bebê, ansiedade, estresse, sintomas depressivos, foram citados separadamente do fator “dificuldades no manejo da amamentação”, mas que podem, com segurança, serem lidos como tal. Rachaduras e fissuras nos mamilos geram dor, desconforto, ansiedade e são umas das principais dificuldades a serem enfrentados pela nutriz, muito provavelmente em decorrência da prática inadequada da técnica da “pega” do mamilo, fator este que pode levar à introdução precoce de novos alimentos e culminar em desmame precoce. Orientação e apoio fazem-se necessário neste momento. Carrascoza (2005) evidencia ainda que a grande maioria dos desmames ocorrem entre o segundo e o terceiro mês após o parto em decorrência, primeiramente, da “falta de leite”, conforme relatos maternos.
Neste sentido, a “falta de leite” (hipogalactia) é entendida por Arantes (1995) como o processo final do desmame, visto que hipogalactia primária é rara. Contudo, quando a questão é a “diminuição da produção de leite” após meses de amamentação, caracterizando hipogalactia secundária, sugere-se que haja outro fator que seja causa do desmame.
No que concerne a idade materna como fator de risco, alguns estudos demonstram que quanto mais jovem é nutriz, menor é o tempo de aleitamento. Candeias estudou 404 puérperas utilizando, entre outras variáveis, a idade, concluindo que este é um fator discriminador com relação à duração do aleitamento, confirmando o estudo realizado por Carrascoza em sua amostra de 80 mulheres, embora este dado vá de encontro às informações apresentadas por Venâncio.
Ao longo dos séculos, a mulher vem se afastando de sua função de amamentar, incentivada pelas invenções tecnológicas e sua dedicação às tarefas profissionais, os quais colocam a disposição os substitutos artificiais do seio materno como forma de experiência nutricional para o bebê. Mamadeiras e chupetas já fazem parte da lista do enxoval, antes mesmo do nascimento, da mesma forma que introdução de novos alimentos tem sido programada para antes do retorno da mulher ao trabalho. Conciliar as atividades profissionais com a amamentação é uma prática possível, pois a alimentação natural exclusiva dá lugar á introdução gradual de novos alimentos, ao passo que a nutriz complementa com o leite materno quando volta para o lar. Vianna et al (2007) estudaram uma amostra de 11076 crianças, em 70 municípios da Paraíba (Brasil), para conhecer as características da amamentação exclusiva neste grupo e , conclui que o aleitamento materno foi exclusivo  até o quarto mês de vida, por mães trabalhadoras que obtinham o benefício de licença maternidade neste período. Em contrapartida, o mesmo estudo evidencia que na zona rural o trabalho fora de casa foi um limitador importante da amamentação. Volpini chama atenção para os achados em sua pesquisa, os quais revelam que a introdução de leites e fórmulas infantis antes do tempo é um preditor relevante da ocorrência de desmame.
O estresse materno, ansiedade e sintomas depressivos causados pelas mudanças na rotina de vida, pela disposição total à demanda das mamadas do neonato, a demora em conquistar o peso que possuía antes da gestação, são condições a serem vistas com cautela, uma vez que podem ser fatores de risco desencadeante de uma série de outros agentes que podem levar ao desmame precoce. Pouco citada, mas não menos importante, é a questão da influência social sobre a decisão de prolongar o aleitamento. A inferência de terceiros em um momento no qual o binômio está enfrentando algumas dificuldades de adaptação um ao outro pode incitar a mãe, que na ocasião encontra-se fragilizada, a interromper o aleitamento e a oferecer outro alimento ao lactente utilizando a mamadeira
Destaca-se ainda a importância da presença e da opinião do pai (ou companheiro). O não reconhecimento das vantagens da amamentação pela nutriz, familiares e amigos permite que estes se deixem influenciar por crenças errôneas, as quais atrapalham o processo e provocam ansiedade.
Araújo et al relata que o desejo materno está fortemente relacionado com o tempo da amamentação. Não surpreende o fato de algumas mães citarem o “constrangimento social” como motivo para desmamar seus bebês, o que pode acontecer em decorrência do não desejar amamentar.
 Nos achados desta pesquisa, foi descrito por Carrascoza o relato sobre  “orientação médica” para cessar a lactação. Acredita-se que o conteúdo desta informação deve ser mais bem estudado a fim de conhecer em quais situações a interrupção do aleitamento tem sido aconselhada.
 
 
 
Grasielly Mariano – Consultora em Amamentação
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