Como posicionar a sonda para relactação

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Relactação é um termo utilizado para mulheres que já estiveram grávidas em algum momento da vida e querem voltar a amamentar um bebê, seja ele biológico ou não. Neste sentido, uma mulher que já teve um bebê há muitos anos, e não consegue engravidar novamente, pode amamentar um bebê adotado. No caso de internação ou morte materna após o parto a avó (ou qualquer mulher que já tenha tido um bebê) pode relactar. É diferente de lactação adotiva, onde uma mulher que nunca teve um bebê deseja amamentar.

A relactação é muito mais vulnerável às alterações ambientais do que é a amamentação “normal”. As etapas exigem mais paciência, uma boa rede de apoio emuita motivação, uma vez que a mamãe deve estar disponível para que o bebê mame entre oito e 10 vezes, em 24 horas. Contudo, a técnica tem sido amplamente utilizada em mamães com baixa produção de leite (hipogalactia) em situações onde uma investigação clínica não identificou nenhuma anormalidade que leve a este quadro, como por exemplo, nutrição materna deficiente, posicionamento e pega inadequados, introdução de outros alimentos, uso de bicos e mamadeiras, sobrecarga de estresse, ausência de mamadas noturnas, mamoplastia redutora, uso de álcool ou medicações, entre outros.
Não aconselho que a mamãe pratique a relactação sozinha, sem orientação de um profissional capacitado para o aleitamento materno. A intenção de utilizar a sonda é fazer com que a mulher produza leite em quantidade suficiente para alimentar seu bebê e por isso o seu uso deve ter “prazo de validade” e ser empregado cada vez menos ao longo dos dias. À medida que a mamãe vai produzindo mais leite, menos suplemento será oferecido através da sonda. E como fazer esta avaliação? É por este motivo que oriento a buscar ajuda profissional (médico pediatra ou consultora em lactação), pois o bebê deverá ser pesado com mais frequência, a mamada deve ser monitorada, bem orientada e as eliminações do bebê devem ser analisadas, além de outros indicadores importantes para preservar a saúde e bem-estar da dupla mãe-bebê.
A sonda a ser utilizada para relactação é a nasogástrica nº4. Entretanto, eu tenho optado pela sonda de aspiração traqueal nº4, por ser mais curta e facilitar o posicionamento:
– As duas pontas devem ser cortadas e aparadas;
– Uma das pontas estará mergulhada em um recipiente esterilizável reservado especialmente para este fim. Eu costumo utilizar uma mamadeira pequena de vidro.
– Há duas formas de posicionar a sonda: (1) você pode introduzir a sonda na boca do bebê depois que ele abocanhar a aréola, pelo cantinho da boca em direção ao palato duro (sem deixar encostar no palato e sem introduzir muito) ou(2) você pode já afixar a sonda junto ao mamilo antes de oferecer a mama para o bebê. É preciso avaliar qual método o bebê se adapta melhor, pois alguns podem perceber a sonda afixada e se recusar a mamar;
– O recipiente com leite deve ficar ligeiramente abaixo da cabeça do bebê ou um pouco acima, para que o fluxo de leite seja controlado. Isto depende da quantidade de leite que a mamãe já está produzindo no momento (peça orientação profissional).
Basicamente, a sonda estará bem posicionada se:
– Você está com o bebê bem posicionado e a pega está perfeita;
– Você vê o leite correr pela sonda sempre que o bebê realiza a sucção;
– Você escuta o bebê deglutindo;
– Você sente “agulhadas” nas mamas – reflexo de ocitocina. Algumas mamães podem não sentir no início; Ainda, pode ser que a mama oposta apresente vazamento espontâneo de leite.
– O bebê está confortável e não se engasga enquanto mama;
Lembre-se que para que a relactação seja bem sucedida é preciso que o profissional de saúde estude alguns fatores:
1-      Estresse ambiental
2-      Desejo do bebê
3-      Idade do bebê
4-      Apoio profissional
5-      Conhecimento sobre amamentação
6-      Conhecimento sobre relactação/técnica
7-      Expressão manual/estimulação das mamas
8-      “Pega”
9-      Receptividade da mãe e do bebê
10-   Mamadas noturnas
11-   Uso de mamadeira e chupetas
12-   Suplementação
13-   Efeitos adversos de medicações
14-   Suporte psicossocial
15-   Intervalo de interrupção entre o desmame e a relactação
16-   Experiência nutricional do bebê. Alguns já podem ter recebido alimentos sólidos, o que pode comprometer a intervenção
17-   Razões que levaram à cessação do aleitamento. Falta de conhecimento? Falta de motivação? Influência de terceiros? Doença? Medicação? Internação? Etc…
18-   Idade gestacional
19-   Apoio familiar
20-  Motivação materna – principal fator para o sucesso da relactação
21-   Quantidade de leite antes de interromper a amamentação
22-   Baixa produção de leite
23-   Introdução de alimentos sólidos
24-   Retração dos mamilos/má condição glândulas das mamas
25-   Posicionamento incorreto do bebê junto ao seio
Texto de Enfª Grasielly Mariano – Consultora em Amamentação
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