Manual do Leite

Padrão

O leite de vaca está relacionado a alguns problemas devido à inadequação de sua composição em relação às necessidades nutricionais e à tolerância digestiva, metabólica e excretora da criança.

 

A prevalência de anemia por deficiência de ferro é mais elevada entre crianças alimentadas com leite de vaca, além do baixo teor, o ferro não é bem absorvido pelo organismo do lactente, devido ao conteúdo elevado de proteína, cálcio e fósforo e baixos níveis de vitamina C, fatores que comprometem sua biodisponibilidade e também a do ferro de outros alimentos consumidos simultaneamente.

 

Outro agravante que contribui para aumentar o risco de deficiência de ferro e anemia no primeiro ano de vida é o fato de que o consumo de leite de vaca está associado a perdas de sangue oculto pelas fezes.Desde o início da década de 60, essa microemorragia intestinal causada pelo leite de vaca já era conhecida, só que se acreditava que ela fosse significativa apenas na faixa etária de zero a quatro meses de idade. Estudo mais recente realizado por Zielger et al.(1990), comparando a perda de sangue nas fezes após os seis meses de idade, em função do tipo de alimentação, demonstrou que ela aumentava 30% quando a criança era alimentada com leite de vaca, o que não ocorria com o grupo que utilizava fórmulas industrializadas. Com base nesses estudos, a Academia Americana de Pediatria, que já não indicava o uso do leite de vaca para crianças de zero a seis meses, passou também a não recomendá-lo para lactentes até 12 meses, por considerarem que a perda de ferro decorrente da eliminação de sangue pelas fezes ainda é nutricionalmente importante nessa faixa etária.(AAP, 1992; Fomon, 1993).

 

RISCO AUMENTADO DE ALERGIA:

 

O trato gastrointestinal do recém nascido é bastante imaturo.

 

A permeabilidade intestinal contribui para a alergia à proteína do leite de vaca, uma condição que afeta 0,4% a 7,5% das crianças . Tudo indica que os principais alérgenos em potencial sejam a beta-lactoalbumina, ausente no leite humano, a caseína, a alfa-lactoalbumina e a albumina sérica bovina. Além disto a exposição precoce da criança ao leite de vaca aumenta o risco não somente de reações adversas a este leite, como também de alergia a outros alimentos.

 

SOBRECARGA RENAL

 

Estudos demonstraram que lactentes que recebem o leite de vaca podem apresentar hipernatremia, devido ao aumento da carga metabólica imposta pela elevada concentração de solutos (sódio, potássio, cloro e proteína) sobre a função renal ainda imatura. O consumo de sódio com a ingestão de leite de vaca, pode chegar a mais de 500mg/dia, ultrapassando, muitas vezes, a ingestão recomendada que é de 120mg/dia, para crianças de zero a seis meses, e de 200mg/dia para crianças de seis a doze meses.

 

Em estado febril ou patologia renal, a vulnerabilidade à desidratação é muito maior.

 

AMINOACIDEMIA

 

A capacidade de metabolização de tirosina, fenilalanina e metionina é muito limitada e as concentrações desses aminoácidos no leite de vaca são três a quatro vezes mais altas do que no leite materno, tornando aumentado o risco de aminoacidemia, o que por sua vez pode comprometer o sitema nervoso central, principalmente em prematuros.

 

DEFICIÊNCIAS DE ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS

 

O leite de vaca apresenta baixo teor de ácido graxo linoléico, nutriente que não pode ser sintetizado pelo organismo e que é importante para a manutenção das estruturas celulares e para as funções normais dos tecidos. As manifestações de deficiência do ácido linoléico incluem retardo no crescimento, lesões na pele, aumento na fragilidade e permeabilidade das membranas, além de comprometimento neurológico, dentre outras(Uauy et al., 1992).

 

OUTRAS DEFICIÊNCIAS:

 

Existe ainda o risco de deficiência de cobre, zinco e vitaminas C, E , A, ácido fólico e niacina).

 

INFECÇÕES GASTROINTESTINAIS

 

A criança fica mais exposta a este risco

 

Fonte:

Nutrição do lactente, base científica para uma alimentação adequada. Marilene Pinheiro Euclydes 2ªed.

 

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO LEITE DE VACA (IN-NATURA, INTEGRAL, PÓ, FLUIDO)

 

O leite de vaca (in-natura, integral, pó, caixinha, saquinho) por não contemplar as características descritas acima, não é considerado alimento apropriado para crianças menores de um ano, além de apresentar as seguintes inadequações:

 

Gorduras: contém baixos teores de ácido linoléico (10 vezes inferior às fórmulas), sendo necessário o acréscimo de óleo vegetal para o atendimento das necessidades do recém-nascido.

 

Carboidratos: a sua quantidade é insuficiente, sendo necessário o acréscimo de outros açúcares, freqüentemente mais danosos à saúde, como a sacarose, com elevado poder cariogênico.

 

Proteínas: fornece altas taxas, com conseqüente elevação da carga renal de soluto. Apresenta relação de caseína/proteínas do soro inadequada, compromentendo a digestibilidade.

 

Minerais e eletrólitos: fornece altas taxas de sódio, contribuindo para a elevação da carga renal de solutos, deletéria principalmente para os recém-nascidos de baixo peso.

 

Vitaminas: baixos níveis de vitaminas D, E e C.

 

Oligoelementos: são fornecidas quantidades insuficientes, com baixa biodisponibilidade de todos os oligoelementos, salientando-se o ferro e o zinco.

 

Diante da impossibilidade do alietamento materno, deve-se utilizar fórmula infantil que satisfaça as necessidades do lactente, conforme recomendado. Antes do sexto mês deverá ser utilizada uma fórmula de partida e, a partir do sexto mês, recomenda-se uma fórmula infantil de segmento.

 

Para as crianças em uso de fórmulas infantis modificadas, a introdução de alimentos não lácteos poderá seguir o mesmo preconizado para aquelas em aleitamento materno exclusivo (a partir dos seis meses)

 

Fórmulas infantis, a segunda via:

 

As fórmulas infantis industrializadas, são leites modificados com o objetivo de atender às necessidades nutricionais específicas da criança no primeiro ano de vida, visando diminuir o impacto sobre a saúde das crianças privadas do leite materno. No entanto, por não ser um alimento sob medida para o bebê, como é o caso do leite materno, a fórmula infantil deixa de apresentar vários de seus benefícios, dentre eles as propriedades imunológicas.

 

Principais modificações feitas nas fórmulas infantis:

 

1)     Alteração no padrão de gordura

 

O leite de vaca, matéria-prima das fórmula infantis, é rico em gordura do tipo saturada. Nessas fórmulas, a gordura é parcialmente substituída pela poliinsaturada de origem vegetal, mais adequada para o desenvolvimento da criança.

 

2)     Alteração do teor e da qualidade das proteínas

 

O leite de vaca contém uma maior concentração de proteínas, mas são mais difíceis de ser digeridas por bebes. As fórmulas infantis reduzem o teor de proteína e modificam sua estrutura para melhorar a digestão. Com essa providência reduz-se o risco de aparecimento de alergia à proteína do leite de vaca.

 

3)     Adição de soro de leite

 

As fórmulas infantis recebem uma quantidade extra de soro para tornar sua composição mais adequada às condições fisiológicas do bebe.

4)     Redução da concentração de minerais

 

O leite de vaca é mais rico em minerais, que são parcialmente extraídos para não sobrecarregar os rins do bebe.

 

5)     Adição de nutrientes

 

O leite de vaca recebe a adição de taurina, ferro, vitaminas, carboidratos (sacarose, dextrino-maltose e amido), que torna mais adequado ao bebe.

 

LEITES E FÓRMULAS – QUAL A DIFERENÇA?

 

Existem à disposição no mercado dezenas de tipos de fórmulas lácteas, fórmulas de soja, leites específicos para crianças, entre outros.

 

LEITES INTEGRAIS

 

São aqueles leites que não sofreram modificações na sua composição – são leite puro, eventualmente acrescidos de vitaminas ou sais minerais, açúcar, mel, etc. Neste grupo estão os leite em pó infantis (todos os tipos de Ninho®), leites frescos tipos A e B, leites integrais UHT e longa vida (Parmalat®, Leco®, Paulista®, etc.) e outros leites em pó (Glória®, Elege, etc.).

 

São indicados só para as crianças após 1 ano de idade.

 

Os leites desnatados e semi-desnatados só devem ser utilizados rotineiramente para as crianças sob indicação médica, por apresentarem baixo teor de gorduras e calorias.

 

FÓRMULAS LÁCTEAS

 

As fórmulas são compostos em que se usa a proteína isolada do leite de vaca e os componentes são balanceado nutricionalmente, de acordo com recomendações internacionais (da Organização Mundial de Saúde). A gordura, os açúcares, os sais minerais e vitaminas e o ferro são acrescidos de fontes separadas em proporções exatas. São próprias para as crianças que não puderam ser amamentadas, desde o nascimento até os 12 meses de idade.

 

Nomes comerciais: NAN® (NAN PRÓ 1®, NAN PRÓ2®, NAN HA®, NAN AR®, PRÉ NAN®) bem como as outras famílias de fórmulas: Nestogeno®, Aptamil®, Enfamil®, Bebelac®, entre outros.

 

FÓRMULAS DE SOJA

 

São como as fórmulas lácteas, mas no lugar da proteína isolada do leite de vaca é utilizada a proteína isolada de soja. O valor nutricional é o mesmo em relação às fórmulas lácteas, tanto em proteínas como em calorias e em todos os nutrientes necessários.

 

A indicação das fórmulas de soja são para crianças com intolerância à proteína do leite de vaca e/ou à lactose (conhecidas como “alergia ao leite de vaca”)

 

As fórmulas disponíveis são NAN SOY®, Prosobee®, Isomil®, Nursoy®, Aptamil Soja®.

 

FÓRMULAS ESPECIAS

 

Para as crianças com intolerâncias e alergias alimentares mais severas ainda dispomos das fórmulas hidrolisadas, semi-elementares e elementares, que são fórmulas à base de hidrolisados protéicos ou aminoácidos puros, que raramente são intolerados.

 

Nomes comerciais: NAN HA ®, Alfaré®, Pregomin®, Neocate®.

 

LEITES DE SOJA

 

No mercado encontram-se leites de soja, como o Suprasoy sem lactose®, Soymilke®, Soyos Milk ®, entre outros. Sua diferença em relação às fórmulas de soja é que estes leites não obedecem às recomendações da OMS para a alimentação no primeiro ano de vida. Portanto são indicados para as crianças “alérgicas” aos leites de vaca maiores de 1 ano de idade.

 

É como se fossem “leites integrais” de soja. Muitos deles inclusive são aromatizados, o que melhora sua aceitação. Seu preço é menor que o das fórmulas de soja e podem ser usados a partir de 1 ano de idade.

 

Existem outras bebidas à base de soja, como o Ades® e Tonyu® , que não substituem os leites. De uma forma geral, estas bebidas NÃO contém cálcio.

 

Sempre confira nas informações nutricionais: o necessário, em caso de substituição do leite de vaca por bebidas à base de soja, é que elas contenham:

 

– 200 mg de cálcio (ou mais) por 200 ml e

 

– 6,0 g de proteínas (ou mais) por 200 ml

 

Lembrando que o LEITE MATERNO é o melhor para a criança, mas na impossibilidade real de amamentação a utilização de um leite adequado se faz necessário. A utilização dos diferentes leites e fórmulas lácteas tem grande importância no crescimento e desenvolvimento nos primeiros anos de vida. O uso e prescrição devem ser feitos pelo pediatra e/ou nutricionista, de acordo com as características de cada criança.

 

Artigo da nutricionista Cátia Medeiros, publicado originalmente na comunidade Alimentando o seu Filho, do Orkut.

FONTE: http://www.facebook.com/notes/meu-filho-n%C3%A3o-quer-comer/manual-do-leite/189944311090993

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