A importância do contato pele a pele

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Hoje em dia há inúmeros estudos que mostram a importância do contato pele-a-pele, entre mãe e bebê, imediatamente  após o nascimento, ou o mais precoce possível. O bebê fica mais feliz, sua temperatura mais estável, há mais glicose disponível no sangue e a respiração e os batimentos cardíacos se estabilizam com mais facilidade. Ademais, este contato permite que o bebê seja colonizado pelas mesmas bactérias da mãe, o que não acontece quando o bebê está na incubadora e está sendo colonizado por bactérias diferentes. Assim como a amamentação este é um importante método de prevenção de doenças, principalmente as alergias em bebês a termo ou prematuros.Ainda que o bebê esteja recebendo oxigênio na UTI neonatal, ele pode se beneficiar do Método Canguru, pois vai ajudá-lo a depender cada vez menos deste elemento para respirar.

Para compreender melhor a importância de se manter o contato pele-a-pele sempre que possível nas primeiras semanas de vida (não apenas através da amamentação) é preciso lembrar que o bebê é como qualquer mamífero em seu habitat: no contato próximo com a mãe (ou com o pai), quando o bebê é levado para longe de seu ambiente natural ele evidencia uma série de sinais psicológicos de que está sobre estresse. Um bebê que não tem contato com os pais (por permanência na incubadora ou por serem enrolados em cobertores e impedidos de sentir a pele dos pais) pode ser tornar sonolento ou letárgico, chora com facilidade e protestam com mais frequência. Quando o bebê é enrolado em cobertores, de forma a imobilizá-lo, ele é impedido de interagir com sua mãe, do modo natural. O contato pele-a-pele favorece a troca de informação sensorial que estimula comportamentos no bebê: ele procura o seio da mãe para mamar e permanece calmo.

Do ponto de vista da amamentação, bebês que são cuidados pelo Método Canguru imediatamente após o parto (na 1ª hora) tem mais chance de realizar uma boa pega sem ajuda e assim terá mais chance de sugar com mais facilidade, diminuindo os riscos de causar lesões nos mamilos da mãe. Quando a mãe tem os seios cheios, o bebê pode até ter uma pega inadequada e ainda assim conseguir sugar o leite (por permanência no seio ou frequência das mamadas), mas a mãe pode desenvolver mastite e bloqueio de ductos com mais facilidade. Nos primeiros dias, entretanto, a mãe não tem as mamas cheias, como quer a natureza, e tudo que o bebê precisa neste momento é aprender a realizar uma boa pega para ingerir o colostro que está disponível para ele.

Em resumo, realizando o contato pele-a-pele o mais precocemente e sempre que possível, por pelo menos 1 hora tem efeitos positivos. O bebê:

– tem mais chance de ter uma boa pega sem ajuda;

– mantém a temperatura estável;

– mantém a glicemia estável;

– mantém a respiração e batimentos cardíacos estáveis,

– oferece segurança e conforto;

– mantém a pressão sanguínea normal;

-chora menos;

– tem mais chances de mamar exclusivamente e por tempo prolongado;

– dá sinais para a mãe quando estiver pronto para mamar.

No contato íntimo entre a dupla mãe-bebê, ninguém deve orientar que o bebê faça alguma coisa, nem mesmo que pegue o seio materno, pois a posição inclinada verticalmente no abdome e no peito da mãe, ele mesmo encontrará o caminho enquanto a mãe apenas apóia seu corpo. Se o bebê não pegar o seio imediatamente, não entre em pânico. Desde que seja um neonato saudável, deixe que ele “diga” quando está preparado para mamar.

Grasielly Mariano – Enfermeira consultora em aleitamento materno, membro pesquisador do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Aleitamento da Escola de Enfermagem da USP, tem formação em aleitamento materno em três países e realiza pesquisas no Canadá sob orientação do Dr. Jack Newman. E-mail: enfgrasi@lactare.com /telefone: (5511) 7761-3254.

Dr. Jack Newman, Médico pediatra canadense, consultor internacional em aleitamento materno, MD,  IBLCE, fundou e dirige o Newman Breastfeeding Clinic Institute( Toronto) e é professor da Toronto University.

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